- Oposição no Senado articula estratégias para retardar a tramitação da PEC que prevê mudanças na escala de trabalho 6x1.
- Parlamentares buscam evitar votação até o período pós-eleitoral, empurrando discussão para 2027.
- Davi Alcolumbre, presidente do Senado, teria conversado com Hugo Motta sobre tema e busca rodada de conversas.
- Oposição explora distanciamento entre Alcolumbre e governo federal após divergências envolvendo indicação ao STF.
A oposição no Senado tem articulado estratégias para retardar a tramitação da PEC que prevê mudanças na escala de trabalho 6x1. A intenção de parlamentares contrários ao avanço da proposta é evitar que o texto seja votado ainda neste ano, empurrando a discussão para o período pós-eleitoral.
Entre os caminhos debatidos nos bastidores, o principal envolve uma atuação direta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, junto ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A avaliação de integrantes da oposição é que, caso a proposta avance lentamente na Câmara ao longo de junho, ela chegaria ao Senado apenas entre o fim de julho e o início de agosto, o que reduziria o tempo hábil para votação.
O que dizem os senadores?
Segundo a CNN Brasil, senadores afirmam que o calendário político e eventos previstos para o meio do ano também favorecem a estratégia de adiamento. Junho costuma ter ritmo mais lento no Congresso devido às festas juninas, convenções partidárias e compromissos relacionados ao calendário eleitoral.
Segundo relatos de parlamentares da oposição, Alcolumbre já teria conversado com Hugo Motta sobre o tema. O presidente da Câmara, porém, teria sinalizado compromisso com o Palácio do Planalto para acelerar a tramitação da PEC e concluir a votação em plenário ainda em maio. Na semana passada, Alcolumbre indicou a aliados que tentaria uma nova rodada de conversas sobre o assunto.
Nos bastidores, a oposição também busca explorar o atual distanciamento entre Alcolumbre e o governo federal após divergências envolvendo a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Parlamentares avaliam que votar abertamente contra a PEC pode gerar desgaste político, mas consideram viável trabalhar pelo adiamento da proposta como forma de dificultar sua implementação e manter o debate em aberto até, possivelmente, 2027.
Um segundo cenário discutido prevê que a PEC chegue ao Senado dentro do cronograma defendido por Hugo Motta, no início de junho, mas tenha a tramitação desacelerada dentro da própria Casa. Essa alternativa, no entanto, é vista com mais cautela pela oposição, já que a proposta precisaria passar inicialmente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador Otto Alencar, aliado do governo federal.