Mesmo durante o período de recesso, parlamentares se mobilizaram e reuniram assinaturas suficientes para a criação de duas comissões parlamentares de inquérito (CPIs) com o objetivo de investigar o Banco Master: uma comissão mista, formada por deputados e senadores, e outra exclusiva do Senado.
A efetiva criação e instalação dos dois colegiados, no entanto, dependem de decisão do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP).
Apesar do número mínimo de apoios, os próprios autores dos requerimentos reconhecem que há resistência de parte dos parlamentares à instalação das CPIs. Soma-se a isso o impacto do calendário eleitoral, que pode dificultar o andamento das investigações ao longo do ano.
No Senado, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) informou já ter reunido 43 assinaturas. No momento do protocolo, eram 34 apoios, aos quais se somaram posteriormente mais nove requerimentos de adesão. Para a criação de uma CPI no Senado, são necessárias pelo menos 27 assinaturas.
Já o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) conseguiu, até o momento, 258 assinaturas para a abertura de uma CPMI, sendo 217 deputados e 41 senadores.
Para a criação de uma comissão mista no Congresso, é necessário ter assinaturas de 171 deputados e 27 senadores. Apesar de já ter o número suficiente, Jordy diz que sua meta é chegar a 297 nomes, o que significaria o aval de metade do Congresso.
No entanto, Jordy afirma “não ter dúvidas” de que há setores no Congresso que querem evitar a investigação. Mas lembra que, pelo regimento, a Comissão já tem os requisitos necessários para ser instalada.
“A CPMI é automática, desde o momento em que há 1/3 [de assinaturas] de cada Casa, a leitura [de criação] é obrigatória na primeira sessão do Congresso subsequente ao protocolo do requerimento. Ele [Alcolumbre] tem que ler”, disse.