- Representantes do setor produtivo brasileiro demonstram preocupação com a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.
- A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode elevar os custos das empresas e aumentar o preço final dos produtos e serviços.
- A especialista Fernanda Ribas alerta que a medida pode gerar reflexos na inflação, na capacidade de compra dos trabalhadores e no mercado de trabalho.
- A discussão sobre a redução da jornada não é novidade e já está presente em diversos segmentos econômicos por meio de acordos e convenções coletivas.
Representantes do setor produtivo brasileiro demonstram preocupação com os possíveis efeitos econômicos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.
Em entrevista à CNN Brasil, a gerente trabalhista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Fernanda Ribas, avaliou que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição proporcional dos salários, poderá elevar os custos das empresas.
Segundo a especialista, o aumento do valor da hora trabalhada tende a ser incorporado ao preço final dos produtos e serviços oferecidos ao consumidor. Para ela, os impactos da medida seriam sentidos por toda a sociedade por meio do encarecimento de bens e serviços.
Ribas também alertou para a possibilidade de reflexos na inflação e na capacidade de compra dos trabalhadores. Na avaliação da gerente, o crescimento dos custos operacionais pode comprometer o equilíbrio financeiro das empresas e gerar consequências no mercado de trabalho.
Outro ponto destacado por ela é o risco de aumento da informalidade. De acordo com a representante da Fiemg, parte dos empregadores pode enfrentar dificuldades para absorver as novas despesas, o que poderia resultar na redução de postos de trabalho formais regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A especialista ressaltou ainda que a discussão sobre a redução da jornada não é novidade e já está presente em diversos segmentos econômicos por meio de acordos e convenções coletivas. No entanto, ela questiona a adoção de uma regra única para todos os setores por meio de alteração constitucional.
Para Ribas, a negociação coletiva continua sendo o instrumento mais adequado para conciliar os interesses de trabalhadores e empregadores, permitindo que cada atividade econômica encontre soluções compatíveis com suas necessidades específicas.
Ao concluir sua análise, a gerente trabalhista defendeu que os diferentes setores produtivos mantenham autonomia para discutir e implementar modelos de jornada que atendam às particularidades de cada área de atuação.