- Keiko Fujimori lidera eleição presidencial peruana com 50,118% dos votos, antecipando vitória virtual.
- Roberto Sánchez nega resultado e acusa fraudes, convocando manifestações contra Fujimori.
- Sánchez questiona votos internacionais, alegando irregularidades que poderiam reverter resultado.
- Partido de Fujimori conquista maioria no Congresso, enquanto Juntos por el Perú fica em segundo lugar.
- Recurso de Sánchez pede anulação de 300 mil votos, mas especialistas consideram ação juridicamente fraca.
A candidata de direita Keiko Fujimori alcançou uma vantagem considerada insuperável na apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru na noite de terça-feira (23). Com 50,118% dos votos, Fujimori aparece à frente de Roberto Sánchez, que soma 49,822%, segundo os dados mais recentes da contagem eleitoral.
Às 2h desta quarta-feira (24), Keiko registrava 9.206.241 votos, contra 9.162.855 votos de Sánchez, com 99,859% das urnas apuradas.
Diferença não pode mais ser revertida
Restam cerca de 40 mil votos para serem contabilizados. No entanto, mesmo que todos os votos restantes fossem destinados a Roberto Sánchez, Keiko Fujimori permaneceria na liderança da disputa. Diante desse cenário, a candidata aparece como a virtual vencedora da eleição presidencial.
Apesar da vantagem da adversária, Roberto Sánchez afirmou que não reconhece o resultado do segundo turno. Durante entrevista coletiva, o candidato alegou que estaria ocorrendo uma suposta fraude no processo de contabilização dos votos e convocou seus apoiadores para novas manifestações no próximo sábado (27).
“Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori”, declarou.
Esquerdista questiona votos do exterior
Sánchez acusa a autoridade eleitoral peruana, a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), e a campanha de Fujimori de irregularidades relacionadas aos votos de peruanos residentes no exterior. Segundo o candidato, os votos internacionais teriam sido decisivos para a virada de Keiko na apuração.
Enquanto Fujimori registra 63,206% dos votos no exterior, Sánchez lidera por pequena margem dentro do território peruano, com 50,113% dos votos válidos.
Recurso tenta anular cerca de 300 mil votos
Na segunda-feira (22), Roberto Sánchez apresentou um novo recurso solicitando a anulação dos votos dos peruanos que vivem fora do país. O candidato argumenta que houve falhas administrativas e problemas na gestão das cédulas eleitorais durante a votação internacional.
De acordo com sua campanha, a exclusão desses votos lhe daria uma vantagem aproximada de 25 mil votos sobre a adversária.
Advogados especializados em direito eleitoral ouvidos pela imprensa peruana afirmam que o pedido de anulação não possui base jurídica sólida. Na avaliação dos especialistas, a iniciativa teria como principal efeito retardar a proclamação oficial dos resultados eleitorais.
Composição do Congresso já está definida
Além da disputa presidencial, a eleição também definiu a composição do Congresso peruano. O partido de Sánchez, o Juntos por el Perú, conquistou a segunda maior bancada, com 32 cadeiras na Câmara dos Deputados e 14 assentos no Senado.
Já o partido de Keiko Fujimori, o Fuerza Popular, obteve a maior representação parlamentar, garantindo 41 cadeiras na Câmara e 22 vagas no Senado. Mesmo com a vantagem na apuração, a legenda de Fujimori informou que aguardará a conclusão oficial da contagem antes de declarar vitória.