- Lula afirma que não aceitará interferências externas no processo eleitoral brasileiro.
- Itamaraty nega vistos a diplomatas norte-americanos que pretendiam questionar urnas eletrônicas.
- Flávio Bolsonaro participa de reunião com 40 países e defende observadores internacionais nas eleições.
- Lula reforça defesa da soberania nacional e da paz no Brasil durante convenção do PT.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (25) que não aceitará interferências externas no processo eleitoral brasileiro. A declaração ocorre após o Ministério das Relações Exteriores negar vistos a integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam visitar o Brasil em meio a questionamentos sobre a integridade das urnas eletrônicas.
E que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. [...] quem quiser de fora se meter nas eleições brasileiras vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse pais são 157 milhões de eleitores.
A declaração foi feita durante a convenção estadual do PT, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista.
Durante o evento, Lula também reforçou o discurso em defesa da soberania nacional e destacou o interesse do Brasil em manter boas relações diplomáticas com outros países.
O aviso está dado, o brasil é soberano, o Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz. o brasil não quer ódio, o Brasil quer amor. O Brasil não quer fazer futrica, o Brasil quer trabalhar.
Na sexta-feira (24), o Itamaraty recusou os pedidos de visto apresentados pelos diplomatas Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Os dois foram mencionados em uma reportagem do jornal The Washington Post como participantes de uma estratégia voltada a questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. A negativa aos vistos foi formalizada antes mesmo da publicação da reportagem. A viagem ao Brasil estava prevista para ocorrer poucas semanas antes das eleições presidenciais, marcadas para 4 de outubro.
Também na última semana, o pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participou de uma reunião reservada com representantes de aproximadamente 40 países. Durante o encontro, ele afirmou que as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil seriam fabricadas por uma empresa venezuelana suspeita de fraudes, informação já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Flávio Bolsonaro nega que esteja colocando em dúvida o sistema eleitoral brasileiro. No entanto, defendeu que os países presentes no encontro enviem observadores internacionais para acompanhar as eleições no Brasil.