- A protetora de animais Mariana Melo denunciou suposta recusa da Secretaria Adjunta de Bem-Estar Animal em atender pedidos de castração emergencial.
- Servidores teriam alegado que o procedimento representaria um "aborto" e não seria autorizado, segundo Mariana Melo.
- A secretaria negou suspensão dos serviços e recusa generalizada de atendimento, afirmando que os procedimentos seguem critérios médicos veterinários.
- Protetores independentes afirmam que a demora nos atendimentos e a negativa de castrações emergenciais agravam a situação dos animais abandonados na cidade.
A protetora de animais Mariana Melo denunciou a suposta recusa da Secretaria Adjunta de Bem-Estar Animal de Cuiabá (MT) em atender pedidos de castração emergencial de cães e gatos. Segundo ela, servidores da pasta teriam alegado que o procedimento representaria um “aborto” e, por isso, não seria autorizado.
O caso veio à tona durante uma audiência pública realizada na Câmara Municipal, na última quinta-feira (8), e passou a ganhar grande repercussão nos dias seguintes entre ativistas da causa animal e nas redes sociais.
REPERCUSSÃO NAS REDES
Após o debate na Câmara, o assunto foi comentado nas redes pela vereadora e primeira-dama Samantha Iris. Um print divulgado por protetores mostra a parlamentar reagindo à discussão com a frase “que viagem”, acompanhada de um emoji de risada.
Com a repercussão negativa, Mariana Melo publicou capturas de tela de conversas atribuídas à Secretaria Adjunta de Bem-Estar Animal. Em uma das mensagens, a resposta enviada dizia: “Se ela cruzou, você quer promover o aborto desse animal? Não realizamos e não compactuamos com isso”.
Segundo defensores da causa, os diálogos indicariam que pedidos envolvendo animais no cio ou recém-cruzados estariam sendo recusados sob justificativas morais e ideológicas, o que gerou críticas sobre a condução das políticas públicas voltadas ao controle populacional de cães e gatos.
CRÍTICAS À GESTÃO
Protetores independentes afirmam que a demora nos atendimentos e a negativa de castrações emergenciais acabam agravando a situação dos animais abandonados na cidade. Para representantes do setor, a interpretação de que o procedimento configuraria “crime de aborto” contraria protocolos veterinários utilizados em programas de manejo populacional.
Durante as discussões, também houve críticas à condução técnica da pasta. Integrantes da causa animal alegaram que informações apresentadas pela gestão municipal sobre políticas públicas em outras cidades seriam incorretas.
POSICIONAMENTO DA SECRETARIA
Procurada pela reportagem, a Secretaria Adjunta de Bem-Estar Animal informou, em nota, que os procedimentos de castração continuam sendo realizados regularmente, conforme a capacidade operacional do município e critérios técnicos definidos pela equipe veterinária.
A pasta afirmou ainda que atualmente são feitas mais de 180 castrações por mês, atendendo tutores, ONGs, protetores independentes e animais comunitários.
Sobre a mensagem que repercutiu nas redes sociais, a secretaria declarou que a fala foi retirada de contexto e se referia a um caso específico de solicitação fora da fila regular de atendimento.
“A fala divulgada em vídeo foi retirada de contexto e se referia especificamente à impossibilidade de realização imediata de um procedimento fora da fila regular, em um caso relatado como um animal que havia acabado de cruzar. O apontamento técnico realizado foi justamente sobre a necessidade de avaliação clínica, respeito aos protocolos veterinários e à organização da fila pública de atendimento”, informou a nota.
A secretaria também negou suspensão dos serviços ou recusa generalizada de atendimento.
“Reforça que não houve suspensão de castrações e tampouco negativa generalizada de atendimento. Os procedimentos seguem critérios médicos veterinários, disponibilidade operacional e ordem de demanda, visando garantir isonomia e responsabilidade técnica no serviço público”, acrescentou.
Por fim, o órgão declarou que “recortes isolados de falas acabam desconsiderando toda a complexidade operacional do serviço e gerando interpretações distorcidas sobre o trabalho desempenhado pela equipe técnica”.