- Governador Rafael Fonteles critica decisão dos EUA sobre facções criminosas.
- Ele defende combate ao crime organizado, mas alerta para riscos de interferência externa.
- PCC e CV são considerados organizações criminosas pelo governo brasileiro.
- Governo federal reforça cooperação internacional para combater crime transnacional.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles, comentou nesta terça-feira (2) a decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Para o petista, embora seja necessário fortalecer o combate ao crime organizado, a medida exige atenção por seus possíveis reflexos sobre a autonomia do país.
A declaração ocorre após o Departamento de Estado norte-americano incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em sua lista de grupos terroristas.
PREOCUPAÇÃO COM A SOBERANIA
Ao avaliar a decisão, Rafael Fonteles destacou que o enfrentamento às organizações criminosas deve ser uma prioridade, mas alertou para os riscos de eventuais interferências externas em assuntos internos do Brasil.
“A gente vê com preocupação, porque há o intuito de combater firmemente essas organizações e facções criminosas, mas o risco de invadir a soberania do país. Então, tem que ter muito cuidado, muita cautela”, declarou Fonteles.
A classificação anunciada pelos Estados Unidos foi divulgada dias após um encontro realizado na Casa Branca entre o presidente norte-americano Donald Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
POSIÇÃO DO GOVERNO BRASILEIRO
Em resposta ao posicionamento norte-americano, o governo brasileiro reforçou que PCC e Comando Vermelho são tratados oficialmente como organizações criminosas. Segundo o entendimento do Palácio do Planalto, essas facções atuam com objetivos econômicos ligados ao tráfico de drogas, armas e outras atividades ilícitas.
A avaliação do Executivo federal é de que grupos terroristas possuem motivações predominantemente ideológicas, religiosas ou políticas, o que diferenciaria sua atuação das facções brasileiras.
DEFESA DE COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
Apesar das ressalvas, Rafael Fonteles defendeu o fortalecimento das parcerias entre países para ampliar a eficácia das ações de combate ao crime organizado transnacional.
O governador ressaltou, entretanto, que essa colaboração deve ocorrer dentro dos limites estabelecidos pela legislação brasileira e sem comprometer a independência das instituições nacionais.