Os países contrários ao acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul ganharam destaque mesmo após a confirmação da aprovação do tratado pela maioria do bloco europeu. França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra a proposta, enquanto a Bélgica optou pela abstenção, segundo diplomatas da UE. A resistência desses países está concentrada, sobretudo, nos possíveis impactos negativos sobre o setor agrícola europeu.
Apesar da oposição, 21 dos 27 Estados-membros manifestaram apoio ao acordo, número suficiente para garantir a aprovação no Conselho da UE, já que era necessário o voto favorável de pelo menos 15 países que representassem 65% da população do bloco. A confirmação oficial foi divulgada pelo Chipre, que ocupa a presidência rotativa da União Europeia.
A França lidera a resistência ao tratado, impulsionada pela forte pressão de agricultores que temem concorrência desleal de produtos do Mercosul. Irlanda e Polônia também expressaram preocupações semelhantes, especialmente em relação à entrada de produtos agrícolas sul-americanos com custos mais baixos. Áustria e Hungria se alinharam ao grupo crítico, reforçando o bloco contrário ao acordo.
Mesmo com o aval do Conselho, o tratado ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor. A expectativa, no entanto, é que o texto seja aprovado, apesar da oposição declarada desses países. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, a assinatura formal do acordo entre Mercosul e UE está prevista para 17 de janeiro.
O acordo, negociado ao longo de mais de duas décadas, prevê a redução e eliminação gradual de tarifas: o Mercosul deve retirar taxas sobre cerca de 91% das exportações europeias em até 15 anos, enquanto a UE fará o mesmo para aproximadamente 92% das exportações do bloco sul-americano. Também estão previstas ampliações de cotas agrícolas isentas de tarifas — ponto central das críticas dos países contrários.
Enquanto Alemanha, Espanha e a Comissão Europeia defendem o tratado como estratégico para reduzir a dependência da China e enfrentar impactos de tarifas dos Estados Unidos, o grupo de países opositores segue pressionando por salvaguardas adicionais para o setor agrícola, indicando que o debate continuará intenso nas próximas etapas de aprovação.