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São Marcos pede complemento de R$ 4,2 milhões ao mês para manter atendimentos oncológicos

Os números foram apresentados durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (6), após a unidade anunciar a suspensão de parte dos atendimentos oncológicos em razão do agravamento da crise financeira.

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  • Hospital São Marcos pede R$ 50,4 milhões anuais para manter atendimentos oncológicos no SUS.
  • Unidade é responsável por mais de 90% dos tratamentos oncológicos no Piauí e 100% dos casos infantis.
  • Recursos atuais são insuficientes para cobrir custos operacionais e demanda por tratamentos especializados.
  • Comparação com hospitais de referência revela financiamento menor do que o médio do país.
  • Crise financeira levou à venda de precatório e contratação de empréstimos para manter serviços.
Hospital São Marcos detalha decisão de suspender novos atendimentos oncológicos. | Foto: Cecília Brandão/Meio News
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O Hospital São Marcos, referência no tratamento de câncer no Piauí, informou que precisa de uma complementação financeira de R$ 4,2 milhões por mês para manter os atendimentos oncológicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O valor representa um aporte anual de R$ 50,4 milhões.

Os números foram apresentados durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (6), após a unidade anunciar a suspensão de parte dos atendimentos oncológicos em razão do agravamento da crise financeira.

Referência no tratamento de câncer

Mantido pela Associação Piauiense de Combate ao Câncer, o Hospital São Marcos é responsável por mais de 90% dos atendimentos oncológicos realizados no Piauí e praticamente 100% dos casos de câncer infantil no estado. A instituição dispõe de 100 leitos destinados exclusivamente a pacientes do SUS.

Entre maio de 2025 e abril de 2026, o hospital realizou:

  • 59.325 sessões de quimioterapia (média de 4.944 por mês);
  • 2.039 sessões de radioterapia;
  • 5.524 internações oncológicas;
  • 39.823 consultas e atendimentos em oncologia;
  • 192.707 procedimentos ambulatoriais.

Segundo a direção, esse volume demonstra que a instituição sustenta praticamente sozinha a rede pública de alta complexidade em oncologia no estado.

Financiamento considerado insuficiente

Atualmente, o Hospital São Marcos recebe aproximadamente R$ 6 milhões mensais por meio da Tabela SUS, o equivalente a R$ 72 milhões por ano. Além disso, conta com um complemento de R$ 900 mil por mês repassado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), valor que corresponde a cerca de 15% da produção hospitalar.

De acordo com a direção, os recursos são insuficientes para cobrir os custos operacionais da unidade, especialmente diante da elevada demanda por tratamentos especializados.

Comparação com hospitais de referência

Durante a apresentação, o hospital divulgou um levantamento comparando seu modelo de financiamento com o de outras instituições oncológicas do país.

Conforme os dados, o Hospital Oncológico Infantil do Pará recebe recursos equivalentes a 4,51 vezes o valor produzido pela Tabela SUS. Já a Fundação Pio XII e o Hospital de Amor, em Barretos (SP), contam com financiamento correspondente a aproximadamente 3,91 vezes sua produção.

O Hospital São Marcos afirma receber pouco mais de uma vez o valor efetivamente produzido, índice que, segundo a instituição, é o menor entre os hospitais analisados.

Mesmo com a complementação solicitada de R$ 50,4 milhões por ano, o hospital calcula que sua remuneração chegaria a 1,70 vez a produção SUS, ainda abaixo da maior parte das unidades oncológicas do país.

A direção afirma que o pedido não representa tratamento diferenciado, mas uma tentativa de corrigir uma defasagem histórica no financiamento da instituição.

Crise financeira

O Hospital São Marcos também informou que precisou recorrer a medidas emergenciais para manter os serviços em funcionamento ao longo de 2025.

Segundo a instituição, foi realizada a venda de um precatório de R$ 33 milhões para quitar dívidas com fornecedores, além da contratação de empréstimos que ultrapassam R$ 20 milhões.

Ainda de acordo com a direção, a crise financeira provocou atraso no tratamento de mais de mil pacientes no ano passado.

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