SEÇÕES

STF autoriza PF a investigar Lulinha por suposto tráfico de influência na Dataprev

Ministro André Mendonça abre novo inquérito para apurar possível atuação do filho do presidente em favor do chamado “Careca do INSS” em empresa pública

Ver Resumo
  • Ministro André Mendonça autoriza nova investigação sobre suposto tráfico de influência envolvendo Lulinha e o lobista Careca do INSS.
  • PF apura se Lulinha favoreceu Careca do INSS em negociações com Ministério da Saúde e Gabinete da Presidência.
  • Investigação inclui suspeitas sobre contrato milionário com Ministério da Saúde para medicamentos à base de canabidiol.
  • Defesa de Lulinha e Roberta Luchsinger nega envolvimento e acusa PF de prática de pesca probatória.
  • Ministério da Saúde afirma não ter firmado contratos com World Cannabis ou seus acionistas.
STF autoriza PF a investigar Lulinha por suposto tráfico de influência na Dataprev | Foto: Reprodução
Siga-nos no

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (31) a abertura de uma nova investigação da Polícia Federal (PF) para apurar um suposto esquema de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). O inquérito busca esclarecer se o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atuou para beneficiar interesses do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

Nova investigação amplia apuração

Esta é a segunda investigação autorizada por Mendonça em dois dias. Na quinta-feira (30), o ministro já havia determinado a abertura de outro inquérito para apurar se Lulinha cometeu os crimes de tráfico de influência e corrupção ao supostamente favorecer o "Careca do INSS" em negociações envolvendo o Ministério da Saúde e o Gabinete da Presidência da República.

Antônio Carlos Camilo Antunes é apontado pela PF como um dos principais articuladores do esquema investigado na Operação Sem Desconto, que apura desvios relacionados a aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Suspeitas envolvem negócios com cannabis medicinal

Segundo a investigação, a PF apura se Lulinha atuou para facilitar encontros e negociações do lobista com integrantes do governo federal. Entre os fatos investigados está a tentativa de fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde para fornecimento de medicamentos à base de canabidiol nos anos de 2024 e 2025. O contrato, no entanto, não chegou a ser firmado.

As investigações também apontam que o "Careca do INSS" contratou a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar negócios de cannabis medicinal junto ao governo federal em favor da empresa World Cannabis, pertencente ao lobista.

Defesas negam irregularidades

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, afirmou que a investigação representa uma tentativa de ampliar as apurações sem provas de envolvimento do filho do presidente.

"Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave", declarou.

A defesa de Roberta Luchsinger também negou qualquer irregularidade e afirmou que jamais houve repasse de valores ao filho do presidente.

Ministério da Saúde nega contratos

Em nota, o Ministério da Saúde informou que nunca firmou contratos com a World Cannabis nem com os acionistas citados na investigação, acrescentando que não houve qualquer repasse de recursos públicos à empresa.

A PF também investiga se houve tráfico de influência na articulação para que o "Careca do INSS" fosse recebido pelo então secretário-executivo da pasta, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que posteriormente assumiu cargo no Gabinete Pessoal da Presidência da República. A apuração segue sob relatoria do ministro André Mendonça no STF.

Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também
ACESSE NOSSO
CANAL NO ZAP