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STF torna réu deputado do PL que desejou morte de Lula durante sessão na Câmara

Primeira Turma decidiu por unanimidade abrir ação penal contra Gilvan da Federal por declarações feitas em 2025

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  • Supremo Tribunal Federal torna réu deputado Gilvan da Federal por declarações que desejaram a morte de Lula.
  • Declarações foram feitas em abril de 2025 durante reunião da Comissão de Segurança Pública da Câmara.
  • Deputado alegou imunidade parlamentar, mas foi rejeitada pela Primeira Turma do STF.
  • Ministra Cármen Lúcia destacou que as frases ultrapassaram a crítica política e configuraram ofensa pessoal.
  • Ação penal será julgada por injúria qualificada, conforme pedido da Procuradoria-Geral da República.
Deputado federal do Espírito Santo, Gilvan da Federal | Foto: Reprodução
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, nesta terça-feira (18), tornar réu o deputado Gilvan da Federal (PL-ES) por declarações em que desejou a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com a decisão, o parlamentar passa a responder a uma ação penal e poderá ser julgado por injúria qualificada, conforme pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A abertura da ação, no entanto, não significa que Gilvan foi condenado.

Votaram pelo recebimento da denúncia a relatora, ministra Cármen Lúcia, e os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Cristiano Zanin não participou do julgamento por ter se declarado impedido. Ele foi advogado de Lula.

O que disse o deputado

As declarações que motivaram a denúncia foram feitas em abril de 2025, durante uma reunião da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados.

Na ocasião, era discutido um projeto que pretendia desarmar a segurança pessoal do presidente da República. Durante o debate, Gilvan afirmou que desejava a morte de Lula.

Eu quero mais que o Lula morra, quero que ele vá para o quinto dos infernos, é um direito meu.

Em seguida, o deputado afirmou que não pretendia matar o presidente, mas voltou a dizer que desejava que ele morresse.

Não vou dizer que eu vou matar cara, mas eu quero que ele morra, que vá para o quinto dos infernos. Nem o diabo quer o Lula, por isso que ele está vivendo aí. Superou o câncer. Tomara que ele tenha uma taquicardia, porque nem o diabo quer a desgraça desse presidente que está afundando o país. Quero mais que ele morra mesmo.

Gilvan também chamou Lula de “descondenado” e “parceiro do crime”.

Deputado alegou imunidade parlamentar

Após a repercussão das declarações, Gilvan afirmou que estava protegido pela imunidade parlamentar e que havia reagido a provocações de integrantes da base do governo.

A tese, porém, foi rejeitada pela relatora e pelos demais ministros da Primeira Turma.

Cármen Lúcia: imunidade não é blindagem

Em seu voto, Cármen Lúcia afirmou que a imunidade parlamentar protege manifestações relacionadas ao exercício do mandato, mas não funciona como uma blindagem para qualquer declaração feita por um deputado.

As expressões teriam sido direcionadas à pessoa do ofendido e configuram, portanto, em tese, ofensa pessoal dissociada da finalidade institucional.

Segundo a ministra, as declarações ultrapassaram os limites da crítica política e não estavam relacionadas ao exercício das funções parlamentares.

A relatora também afirmou haver elementos suficientes para o recebimento da denúncia.

Afastados os argumentos defensivos revela-se suficiente, portanto, para o recebimento da denúncia, a presença de indícios veementes da autoria da materialidade.

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