- Flávio Bolsonaro participou de audiência pública do USTR para discutir proposta de tarifas sobre produtos brasileiros.
- O senador abordou regulação de redes sociais, corrupção e defesa do Pix, defendendo adiamento das tarifas.
- Temas como tarifas preferenciais e proteção da propriedade intelectual não foram mencionados na fala.
- Flávio criticou governo e STF, afirmando que é o "pior momento" para aplicação das tarifas.
- Representantes do setor empresarial esperavam defesa dos interesses brasileiros na audiência.
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participou nesta terça-feira (7) de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir a proposta de aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.
Durante a apresentação, Flávio concentrou sua fala em três temas: a regulação das redes sociais, a corrupção no Brasil e a defesa do Pix. O parlamentar também voltou a defender o adiamento da aplicação das tarifas para depois das eleições brasileiras.
Temas da investigação não foram abordados
Em seu discurso, Flávio Bolsonaro não tratou de assuntos como tarifas preferenciais, acesso ao mercado de etanol, desmatamento e proteção da propriedade intelectual, temas citados na investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos.
No início de junho, o USTR concluiu uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o órgão, determinadas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" ao comércio norte-americano, o que levou à proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Senador criticou governo e defendeu adiamento das tarifas
No início da audiência, Flávio afirmou que, devido ao tempo limitado, abordaria apenas três dos temas utilizados pelo governo norte-americano para justificar a proposta de taxação, acrescentando que os demais argumentos estariam detalhados em um documento enviado anteriormente ao USTR.
Durante os cerca de cinco minutos de fala, o senador fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de defender o Pix e afirmar que este seria o "pior momento possível" para a aplicação das novas tarifas.
No documento encaminhado ao governo dos Estados Unidos na semana anterior, Flávio Bolsonaro detalha argumentos relacionados à investigação comercial e solicita o adiamento, por 180 dias, da eventual aplicação das novas tarifas sobre as exportações brasileiras.
Segundo integrantes do governo federal, a participação de Flávio Bolsonaro na audiência teve um tom político-eleitoral. Ainda de acordo com essa avaliação, representantes do setor empresarial esperavam uma manifestação mais voltada à defesa dos interesses brasileiros na tentativa de evitar a imposição das tarifas.