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Veja em 5 pontos o que está em jogo na reunião entre Lula e Donald Trump

Presidentes do Brasil e dos EUA se reúnem nesta quinta-feira (7), na Casa Branca. Terras raras, conflitos globais e eleições também estão no radar do encontro.

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  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne com Donald Trump na Casa Branca para discutir temas econômicos e de segurança.
  • A reunião visa normalizar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, após a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros.
  • Combate ao crime organizado: o governo dos EUA avalia classificar facções brasileiras como organizações terroristas, mas o Brasil é contra essa medida.
  • A exploração de minerais críticos deve ser um dos temas centrais na reunião, com o Brasil defendendo controle nacional e parcerias que garantam transferência de tecnologia.
Lula e Trump se encontram na Malásia | Foto: Ricardo Stuckert/PR
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúnem nesta quinta-feira (7), em Washington, para discutir temas econômicos e de segurança de interesse dos dois países. Esta será a segunda reunião presencial entre os líderes. O encontro ocorre após conversas anteriores, incluindo um diálogo telefônico recente, descrito pelo governo brasileiro como “amistoso”.

Agenda inclui reunião na Casa Branca e declarações

Lula será recebido por Trump na Casa Branca por volta das 11h (12h em Brasília). Após a reunião, os dois devem fazer declarações à imprensa no Salão Oval, com duração prevista de cerca de 30 minutos. Em seguida, participam de um almoço oficial, onde continuarão as discussões.

Segundo apuração da jornalista Raquel Krähenbühl, o encontro é classificado como uma “visita de trabalho”, formato mais direto e menos formal que uma reunião bilateral tradicional.

Temas econômicos e tensões comerciais

A reunião é vista como uma tentativa de normalizar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, após a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades nacionais por parte do governo americano. Além disso, devem ser discutidos temas como segurança internacional, crime organizado e cooperação econômica.

1. Combate ao crime organizado

O governo dos Estados Unidos avalia classificar facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas — uma medida que ainda está em análise e não foi oficialmente confirmada.

A proposta vem sendo discutida dentro do Departamento de Estado e pode ganhar força em agendas diplomáticas, como o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Do lado brasileiro, há resistência. O governo argumenta que, pela legislação nacional, facções como PCC e CV são organizações criminosas com fins lucrativos — e não grupos terroristas, já que não atuam por motivação ideológica, religiosa ou política.

Além disso, autoridades brasileiras avaliam que essa classificação poderia trazer consequências amplas, como sanções financeiras e até abrir margem para ações mais duras dos EUA no combate ao crime organizado, o que levanta preocupações sobre soberania nacional.

Por outro lado, o governo americano entende que a medida poderia ampliar instrumentos de combate, permitindo bloquear recursos e atingir redes internacionais ligadas às facções.

Em resumo:

  • A ideia está em análise nos EUA, mas não foi implementada.
  • O Brasil é contra a classificação como terrorismo.
  • O tema é sensível e deve ser um dos pontos centrais nas negociações entre os dois países.

2. PIX

O Office of the United States Trade Representative conduz atualmente uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil, incluindo o sistema PIX.

Na avaliação americana, o PIX pode representar uma ameaça a empresas dos EUA ao reduzir a competitividade de serviços tradicionais, como cartões de crédito. Já o governo brasileiro argumenta que o sistema é aberto e não discrimina empresas estrangeiras — citando, inclusive, o uso por companhias como o Google.

O tema ganhou peso político e deve ser discutido no encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O Brasil pretende esclarecer o funcionamento do PIX e evitar possíveis medidas comerciais, defendendo o sistema como um instrumento de soberania e inovação.

3. Geopolítica e conflitos globais

Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump têm adotado posições bastante diferentes em temas internacionais, especialmente em relação a conflitos e uso da força. O governo brasileiro condenou, por exemplo, ações militares dos EUA na Venezuela, classificando-as como violação da soberania e do direito internacional, além de defender uma resposta da Organização das Nações Unidas e o respeito ao multilateralismo.

Lula também tem criticado a postura mais intervencionista dos EUA em conflitos recentes, como no Irã, argumentando que o uso frequente da força ameaça a estabilidade global e enfraquece regras internacionais. Além disso, o presidente brasileiro defende que países resolvam seus próprios problemas, sem interferência externa — posição reiterada no caso venezuelano.

Essas divergências refletem visões distintas: enquanto o Brasil aposta em diálogo, cooperação e fortalecimento de organismos internacionais, o governo Trump tem adotado uma linha mais unilateral e assertiva em política externa. Apesar disso, ambos os líderes tentam manter o diálogo diplomático, já que temas econômicos e de segurança também estão em jogo nas relações entre os dois países.

4. Terras raras

A exploração de minerais críticos deve ser um dos temas centrais na reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, já que o Brasil possui algumas das maiores reservas do mundo desses recursos estratégicos.

O governo brasileiro defende que a exploração ocorra sob controle nacional, com parcerias que garantam transferência de tecnologia e fortalecimento da indústria local. Além disso, sinalizou que não pretende aderir a uma aliança proposta pelos EUA, priorizando acordos bilaterais com diferentes países.

Os Estados Unidos, por sua vez, buscam ampliar sua influência nesse mercado global, hoje fortemente concentrado na China.

Outro ponto de tensão envolve um acordo firmado pelo governo de Goiás com os EUA para exploração desses minerais, que gerou reação do governo federal. A avaliação é que esse tipo de iniciativa não tem validade jurídica, já que os recursos do subsolo pertencem à União.

Paralelamente, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com incentivos ao setor. O texto ainda será analisado pelo Senado.

5. Eleições

Segundo apuração da jornalista Andreia Sadi, Luiz Inácio Lula da Silva pretende usar o encontro com Donald Trump como um ativo político.

O objetivo é obter um compromisso — ainda que informal — de que os Estados Unidos não irão interferir nas eleições brasileiras de outubro. Há preocupação no governo com possíveis ações do Departamento de Estado que possam impactar o cenário político interno ou favorecer adversários, como Flávio Bolsonaro.

Além disso, o encontro é visto como uma oportunidade para Lula reforçar sua imagem internacional e demonstrar liderança, especialmente em um momento de desgaste interno após a derrota no Senado envolvendo a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.

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