O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido nesta segunda-feira (18) para uma cela comum da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, após passar dois meses preso em uma sala especial da corporação. A mudança também trouxe restrições mais rígidas para visitas de advogados e ocorre em meio às negociações de um possível acordo de delação premiada. Preso preventivamente desde o dia 4 de março de 2026, Vorcaro é investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas envolvendo o Banco Master. Dois dias após a prisão, ele havia sido levado para a Penitenciária Federal de Brasília. Segundo investigadores da Polícia Federal, a transferência ocorreu em conformidade com regras internas da corporação para custódia de presos. Até então, o banqueiro ocupava uma sala especial na Superintendência da PF, espaço anteriormente utilizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante período em que esteve detido na unidade. Com a alteração, Daniel Vorcaro passou a ocupar uma cela destinada a presos em trânsito pela Polícia Federal. Pessoas próximas ao banqueiro afirmam que o novo espaço possui estrutura mais limitada, com restrições relacionadas a banheiro e acomodação. Além disso, as visitas dos advogados passaram a seguir horários específicos e controles mais rígidos determinados pela custódia da corporação. Procurada, a defesa do banqueiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre as mudanças. A mudança de cela ocorre em um momento considerado delicado nas negociações para um acordo de colaboração premiada. Há dois meses, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade para iniciar tratativas com investigadores, mas enfrenta dificuldades para convencer autoridades de que pretende colaborar efetivamente com as investigações. De acordo com integrantes da PF e da Procuradoria-Geral da República, a primeira proposta apresentada pela defesa, em 5 de maio, foi considerada insuficiente. Investigadores afirmam que os materiais extraídos dos celulares de Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e do ex-operador Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, contêm mais informações do que as reveladas inicialmente. Entre os pontos que teriam ficado fora da primeira proposta de colaboração está a suposta mesada atribuída ao senador Ciro Nogueira, do Progressistas. Segundo as investigações, os valores poderiam chegar a R$ 500 mil. A investigação aponta ainda supostos benefícios financeiros envolvendo viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e o uso de um imóvel em São Paulo. Em nota, a defesa de Ciro Nogueira declarou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas”. Outro episódio citado nas investigações envolve o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, que teria buscado apoio financeiro para um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. O parlamentar admitiu conversas com o banqueiro, mas negou qualquer irregularidade. Em mais um desdobramento da investigação, a Polícia Federal prendeu na semana passada Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, suspeito de atuar como operador financeiro do grupo investigado. Segundo a PF, Henrique Vorcaro seria ligado à chamada “Turma”, apontada como braço armado da suposta organização criminosa investigada. As apurações indicam ainda que uma conta bancária em nome dele teria sido utilizada para ocultar R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas das fraudes financeiras. A defesa de Henrique Vorcaro afirmou considerar a prisão “grave” e “desnecessária”.Mudança segue normas da PF
Delação enfrenta dificuldades
Supostos repasses e relações políticas
Pai do banqueiro também foi preso
Vorcaro é transferido para cela comum após dois meses preso na PF
Dono do Banco Master passou a ter regras mais rígidas para visitas de advogados em Brasília
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