Leptospirose: entenda a doença transmitida por xixi de rato

Após primeiro caso de morte por doença bacteriana, Ministério da Saúde alerta para riscos e prevenção

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Imagem ilustrativa de leptospirose no estado do RS | Reprodução/Internet

Os desastres climáticos causados no estado do Rio Grande do Sul, como chuvas e consequentes alagamentos, trazem à população uma grande preocupação: a possível transmissão de doenças infecciosas causadas pelo contato com a água, uma delas é a leptospirose.

Nesta segunda-feira (20), a Secretaria Estadual da Saúde (SES) confirmou a primeira morte após resultado positivo da amostra analisada pelo Laboratório Central do Estado (Lacen), em Porto Alegre. A vítima era um homem de 67 anos, morador do município gaúcho de Travesseiro, no Vale do Taquari. 

O QUE É LEPTOSPIROSE

De acordo com o Ministério da Saúde, a leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda transmitida a partir da exposição direta ou indireta à urina de animais (principalmente ratos) infectados pela bactéria Leptospira; sua penetração ocorre a partir da pele com lesões, pele íntegra imersa por longos períodos em água contaminada ou por meio de mucosas. 

O período de incubação, ou seja, intervalo de tempo entre a transmissão da infecção até o início das manifestações dos sinais e sintomas, pode variar de 1 a 30 dias e ocorre normalmente entre 7 a 14 dias após a exposição a situações de risco.

TRANSMISSÃO

Quando chove em excesso, a leptospira é transferida para a água, além disso, quando a água sobe, ratos nadam e também podem urinar diretamente em enchentes. A bactéria se mantém viva na água da chuva e também pode permanecer nos resíduos úmidos, como a lama. A exposição frequente à água, no caso do Rio Grande do Sul, contribuiu para o início da epidemia no estado. Casos em que uma pessoa transmite leptospirose para outra são raríssimos.

SINTOMAS DA LEPTOSPIROSE

As manifestações clínicas variam desde formas assintomáticas e subclínicas até quadros graves, associados a manifestações fulminantes. São divididas em duas fases: fase precoce e fase tardia. Os principais da fase precoce são:

- Febre

- Dor de cabeça

- Dor muscular, principalmente nas panturrilhas

- Falta de apetite

- Náuseas/vômitos

Na maioria das vezes, no entanto, a leptospirose é assintomática. Quando se manifesta, seus sintomas mais comuns são febre alta, mal-estar e dor muscular — principalmente na cabeça e no tórax —, que normalmente regridem em três ou quatro dias. Algumas pessoas podem ter diarreia, náuseas, calafrios. Em aproximadamente 15% dos pacientes, ela evolui para manifestações mais graves, que ocorrem geralmente após a primeira semana. As mais clássicas são icterícia (presença de uma cor amarelada na pele, membranas, mucosas e olhos), complicações renais, torpor e coma

EXISTE TRATAMENTO?

A conduta em casos de leptospirose inclui o uso de antibióticos, como a penicilina, e outros medicamentos para aliviar os sintomas. Não há vacina para humanos — o imunizante só existe para animais. É recomendado procurar um pronto-socorro nos quatro ou cinco primeiros dias, no máximo, caso houver algum sintoma.

A DOENÇA PODE SER FATAL

Geralmente, os sintomas da leptospirose costumam regredir depois de alguns dias, mas ainda assim existe a possibilidade de o quadro evoluir e causar até a falência de órgãos. 

PREVENÇÃO

Para prevenir a leptospirose, é fundamental desinfetar ambientes com água sanitária e controlar a presença de roedores, armazenando alimentos em recipientes vedados e mantendo terrenos limpos. O tratamento é feito com antibióticos e deve ser iniciado assim que houver suspeita da doença, com casos graves necessitando de internação hospitalar.

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