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Por que os ruivos precisam de menos sol para produzir vitamina D? A ciência responde

Uma mutação genética no gene MC1R tornou a pele mais eficiente para aproveitar a pouca luz solar, mas também aumentou a sensibilidade à radiação UV

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  • Os ruivos, que representam 2% da população mundial, têm uma característica genética única que afeta a produção de melanina.
  • A melanina, responsável pela cor dos cabelos, também atua como proteção contra raios ultravioleta, mas os ruivos produzem uma variante avermelhada.
  • A mutação no gene MC1R permitiu que populações do norte da Europa absorvessem mais luz solar, garantindo vitamina D em climas escuros.
  • Essa adaptação, benéfica em regiões frias, torna os ruivos mais vulneráveis a danos na pele em ambientes com exposição solar intensa.
  • A cor dos cabelos ruivo, resultado de uma mutação genética, está ligada a uma proteção solar eficiente em climas nublados e frios.
A genética dos ruivos influencia na exposição solar | Foto: Reprodução
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Existe um grupo raro de pessoas cuja característica biológica intrigou cientistas por gerações: os ruivos, que somam apenas cerca de 2% da população mundial. Por trás dos fios avermelhados existe uma história genética que ajudou populações inteiras a sobreviver, mas que hoje pode representar um cuidado extra com a saúde.

A melanina e o papel oculto por trás da cor dos cabelos

Tudo começa na melanina, o pigmento que define a cor da pele, dos olhos e dos cabelos. Mais do que estética, ela funciona como uma barreira natural contra os raios ultravioleta, protegendo as células da radiação solar.

A maior parte das pessoas produz uma variante escura desse pigmento, altamente eficaz como protetor solar biológico. Nos ruivos, porém, uma alteração no gene MC1R faz com que o corpo produza um tipo diferente de melanina, de tom avermelhado ou amarelado. É essa variação que resulta na pele clara, nos fios ruivos e nas sardas, pequenos acúmulos de pigmento espalhados por uma pele que não conta com a mesma proteção uniforme dos demais tipos.

Por que essa mutação surgiu no norte da Europa

A explicação está na história migratória humana. Há milênios, grupos populacionais se estabeleceram em regiões como Escócia e países nórdicos, onde o inverno é longo, o céu costuma estar encoberto e a luz solar direta é escassa.

Como o organismo depende do sol para produzir vitamina D, essencial para ossos fortes e para o sistema imunológico, uma pele mais escura naquelas condições dificultava a absorção da pouca luz disponível, aumentando o risco de deficiência da vitamina. A mutação que deu origem ao cabelo ruivo resolveu esse problema: sem a "proteção" da melanina escura, a pele passou a captar com muito mais eficiência os raios solares disponíveis, mesmo em dias nublados, garantindo os níveis de vitamina D necessários para a sobrevivência.

Uma vantagem que virou desafio no mundo atual

O problema é que essa adaptação, perfeita para os climas frios e nublados do norte europeu, se torna uma desvantagem em um mundo globalizado. Quando uma pessoa com esse perfil genético se expõe a locais de sol forte como praias no verão, climas tropicais ou as ondas de calor cada vez mais frequentes, o mesmo mecanismo que antes garantia sobrevivência passa a representar um risco direto à saúde da pele.

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