- Caseiro resgatado após 18 anos em condições análogas à escravidão em Aquiraz, Ceará.
- Trabalhador vivia sem registro e direitos básicos, com salário reduzido a R$ 160 em maio.
- Família enfrentava insegurança alimentar, com apenas um pacote de macarrão para comer.
- Auditoria-Fiscal determinou afastamento imediato e transferência para moradia adequada.
- Residência apresentava condições precárias e riscos à integridade física dos moradores.
Um caseiro foi resgatado após passar cerca de 18 anos vivendo em condições análogas à escravidão em uma chácara no município de Aquiraz, no interior do Ceará. O resgate ocorreu um dia antes da operação que encontrou uma trabalhadora piauiense que passou 55 anos sem receber salário, na cidade vizinha de Eusébio.
Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT), o trabalhador chegou à propriedade em 2008 e permaneceu no local exercendo a função de caseiro. Durante todo esse período, viveu com a esposa e os filhos na chácara, sem registro em carteira e sem acesso aos direitos trabalhistas básicos.
Aos auditores-fiscais, ele relatou que o salário foi diminuindo ao longo dos anos. Durante a pandemia da covid-19, recebia entre R$ 30 e R$ 40 por mês, período em que ele e a família chegaram a passar fome. Em maio deste ano, o patrão pagou apenas R$ 160 pelos serviços prestados. "O salário foi minguando", contou o trabalhador, afirmando que atualmente recebe apenas algumas "migalhas".
O caseiro também disse que sobrevivia com a ajuda de terceiros para conseguir alimentos, informação confirmada por testemunhas. À equipe da Auditoria-Fiscal do Trabalho, afirmou que "vivia rezando" para que alguém o retirasse daquela situação, mas não conseguia deixar a propriedade por conta própria, pois não tinha recursos financeiros nem outro lugar para abrigar a família.
Durante a fiscalização, as equipes encontraram o trabalhador, a esposa e os filhos em situação de extrema vulnerabilidade. No momento da operação, a família tinha apenas um pacote de macarrão instantâneo para comer, o que, segundo os auditores, caracterizava um quadro de insegurança alimentar extrema.
Conforme Maria Neuzeli, coordenadora do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) para Erradicação do Trabalho Doméstico, a residência apresentava condições extremamente precárias de habitação, com sérios problemas estruturais e riscos à integridade física dos moradores.
Diante das irregularidades, a Auditoria-Fiscal do Trabalho determinou o afastamento imediato do trabalhador e de sua família da propriedade e providenciou a transferência deles para uma moradia adequada.