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Dia Internacional da Mulher: 7 nordestinas que fizeram história no Brasil - Irmã Dulce

Sete trajetórias marcadas por coragem, luta e transformação ajudam a contar como mulheres do Nordeste deixaram marcas e seguem inspirando novas gerações - Irmã Dulce

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Irmã Dulce

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QUEM FOI?

Maria Rita de Sousa Brito Lopes, conhecida como Irmã Dulce ou Santa Dulce dos Pobres, nasceu em 26 de maio de 1914, em Salvador, na Bahia. Filha de Augusto Lopes Pontes, que atuava como dentista e professor da Universidade Federal da Bahia, ela demonstrou interesse pela vida religiosa desde a infância.

Ainda jovem, costumava rezar pedindo orientação sobre qual caminho seguir e já realizava pequenas ações de caridade, ajudando pessoas doentes e em situação de vulnerabilidade. Na adolescência, tentou ingressar em um convento, mas não foi aceita naquele momento.

Enquanto aguardava outra oportunidade, concluiu seus estudos e se formou professora primária em 1932. No ano seguinte, ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em São Cristóvão, no Sergipe. Foi nesse período que passou a ser chamada de Irmã Dulce.

Após se tornar freira, retornou a Salvador, onde atuou como professora e iniciou um trabalho social que marcaria sua trajetória. Ela viveu na capital baiana até o fim da vida e faleceu em 13 de março de 1992, aos 77 anos.

 Irmã Dulce | Foto: Reprodução

IMPORTÂNCIA HISTÓRICA

A atuação de Irmã Dulce ficou marcada pelo cuidado com pessoas pobres, doentes e em situação de vulnerabilidade. Seu trabalho social começou ainda na juventude e se intensificou ao longo da vida religiosa.

Ao longo das décadas, a freira participou de diferentes iniciativas voltadas para melhorar as condições de vida da população mais carente de Salvador. Entre suas principais ações, destacam-se:

  • Criação do Círculo Operário da Bahia, em 1939, com o objetivo de apoiar trabalhadores, oferecendo assistência social, qualificação profissional e orientação jurídica;
  • Fundação do Hospital Santo Antônio, voltado ao atendimento de pessoas de baixa renda;
  • Criação das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), entidade filantrópica que passou a oferecer serviços de saúde, educação e assistência social para a população mais vulnerável.

As Obras Sociais também passaram a acolher pessoas em situação de vulnerabilidade e oferecer atendimento médico, além de assistência a crianças órfãs. Por causa da dedicação ao cuidado com os mais necessitados, Irmã Dulce ficou conhecida como “anjo bom da Bahia”.

Seu trabalho na área da saúde e da assistência social ganhou destaque nacional e internacional. A atuação da religiosa no atendimento a pessoas de baixa renda é considerada por muitos um modelo de cuidado que inspirou iniciativas posteriores na área da saúde pública no Brasil.

 Fachada da Basílica de São Pedro, local decorado para a canonização de Irmã Dulce

LEGADO

A trajetória de Irmã Dulce continuou sendo reconhecida mesmo após sua morte. O processo para que ela fosse declarada santa pela Igreja Católica começou em 2000, quando foi aberta oficialmente a causa de canonização.

Entre os marcos desse reconhecimento está o fato de que, em 2009, Irmã Dulce foi declarada venerável pela Igreja Católica. Em 2011, após o reconhecimento de um milagre, ocorreu sua beatificação em Salvador, quando passou a ser chamada de Bem-Aventurada Dulce dos Pobres. Já em 2019, com a confirmação de um segundo milagre, foi canonizada no Vaticano, tornando-se a primeira mulher nascida no Brasil a ser reconhecida como santa pela Igreja Católica.

Dois milagres foram associados à religiosa durante esse processo:

  • a cura de uma mulher que sofreu uma hemorragia grave após o parto, em 2001;
  • a recuperação da visão de um músico que havia perdido a capacidade de enxergar, em 2014.

Além do reconhecimento religioso, seu trabalho continua presente por meio das Obras Sociais Irmã Dulce, que seguem prestando serviços de saúde, educação e assistência social em Salvador.

A história da religiosa também foi retratada no cinema. Em 2014, foi lançado o filme “Irmã Dulce”, dirigido por Vicente Amorim, que apresenta episódios de sua infância e de sua atuação como uma das figuras religiosas mais conhecidas do país.

Conhecida pelo compromisso com os mais pobres e pelo trabalho dedicado à assistência social, Irmã Dulce permanece como uma referência de solidariedade e serviço ao próximo, sendo lembrada como uma das personalidades mais marcantes da história recente do Brasil.

Oração a Santa Dulce dos Pobres

"Senhor nosso Deus, lembrados de Vossa Filha, a Santa Dulce dos Pobres, cujo coração ardia de amor por Vós e pelos irmãos, particularmente os pobres e excluídos, nós Vos pedimos: 

Fazei-nos viver a fé e a caridade, na simplicidade e na humildade. 

Por intercessão de Santa Dulce, o Anjo Bom da Bahia, concedei-nos a graça que Vos pedimos:
(Faça o seu pedido aqui) 

E a exemplo desta Vossa serva, vivamos em plena comunhão com Vossos irmãos, no amor e na caridade. 

Por Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Amém." 

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