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Dia Internacional da Mulher: 7 nordestinas que fizeram história no Brasil - Nise da Silveira

Sete trajetórias marcadas por coragem, luta e transformação ajudam a contar como mulheres do Nordeste deixaram marcas e seguem inspirando novas gerações - Nise da Silveira

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Nise da Silveira

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QUEM FOI?

Nise Magalhães da Silveira foi uma médica psiquiatra brasileira reconhecida por transformar a forma de tratamento de pacientes com transtornos mentais no país. Nascida em 15 de fevereiro de 1905, em Maceió (AL), formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1926, sendo a única mulher em uma turma com mais de 150 estudantes.

Filha de um professor de matemática e jornalista e de uma pianista, recebeu educação básica em um tradicional colégio de freiras em Alagoas. Após concluir a graduação e perder os pais em 1927, mudou-se para o Rio de Janeiro com o marido, Mário Magalhães de Silveira, onde passou a atuar na área de psiquiatria.

Em 1933, ingressou no serviço público como psiquiatra no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental do Hospício Pedro II, instituição que mais tarde seria conhecida como Instituto Nise da Silveira. Sua carreira, no entanto, foi marcada também por perseguições políticas: militante do Partido Comunista Brasileiro, foi presa por 18 meses durante o governo de Getúlio Vargas.

Nise Magalhães da Silveira | Foto: Reprodução

IMPORTÂNCIA HISTÓRICA

Após retornar ao trabalho em hospitais do Rio de Janeiro, em 1944, Nise da Silveira passou a questionar métodos considerados comuns na psiquiatria da época, como eletrochoques, lobotomias e outras práticas agressivas utilizadas no tratamento de pacientes internados.

Em oposição a esses métodos, ela passou a defender uma abordagem mais humanizada no cuidado com pessoas com transtornos mentais. Sua proposta valorizava a expressão artística como forma de tratamento e compreensão da mente humana.

Entre as iniciativas que marcaram sua atuação, incluem-se

  • Criação do Museu de Imagens do Inconsciente (1952): espaço dedicado à preservação e estudo das produções artísticas realizadas por pacientes em atividades terapêuticas;
  • Fundação da Casa das Palmeiras (1956): clínica voltada à reabilitação de ex-internos psiquiátricos, onde eram desenvolvidas atividades criativas e de convivência social;
  • Introdução da arte no tratamento psiquiátrico, utilizando pintura e modelagem em argila como ferramentas terapêuticas.

Nise também se inspirou nos estudos do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung e ajudou a difundir a psicologia analítica no Brasil. A partir dessas ideias, passou a interpretar as produções artísticas dos pacientes como formas de expressão simbólica do inconsciente.

Além disso, introduziu práticas inovadoras, como o uso de animais domésticos no processo terapêutico, chamados por ela de “co-terapeutas”, buscando estimular vínculos afetivos e melhorar o bem-estar dos pacientes.

Escultura de Nise da Silveira, feita pelo escultor mineiro Léo Santana e inaugurada em 2019 no Corredor Vera Arruda, Maceió | Foto: Reprodução

LEGADO

Nise da Silveira faleceu em 1999, no Rio de Janeiro, aos 94 anos. Seu trabalho deixou profundas transformações na psiquiatria brasileira, especialmente ao defender um atendimento mais humano e menos violento para pessoas com transtornos mentais.

Sua atuação ajudou a consolidar práticas como a arteterapia, hoje utilizada em hospitais psiquiátricos e centros de atenção psicossocial. Ao incentivar a expressão artística, permitiu que pacientes encontrassem novas formas de comunicação e reconstrução de sua relação com o mundo.

O impacto de suas ideias também inspirou a criação de diversas instituições, centros culturais e espaços terapêuticos no Brasil e no exterior que seguem suas propostas de tratamento humanizado.

Entre os principais reconhecimentos de sua trajetória, podem ser mencionados:

  • Criação de centros e instituições dedicados à preservação e estudo de seu trabalho no Brasil e em outros países;
  • Produção de obras e pesquisas sobre sua contribuição para a saúde mental;
  • Lançamento do filme “Nise – O coração da loucura”, em 2016, que retrata sua história e atuação na psiquiatria.

Em 2022, após decisão do Congresso Nacional, Nise da Silveira foi incluída no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, reconhecimento oficial que destaca sua contribuição para a história e para o avanço da saúde mental no Brasil.

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