Nise da Silveira
VER COMENTÁRIOS
Carregue mais
QUEM FOI?
Nise Magalhães da Silveira foi uma médica psiquiatra brasileira reconhecida por transformar a forma de tratamento de pacientes com transtornos mentais no país. Nascida em 15 de fevereiro de 1905, em Maceió (AL), formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1926, sendo a única mulher em uma turma com mais de 150 estudantes.
Filha de um professor de matemática e jornalista e de uma pianista, recebeu educação básica em um tradicional colégio de freiras em Alagoas. Após concluir a graduação e perder os pais em 1927, mudou-se para o Rio de Janeiro com o marido, Mário Magalhães de Silveira, onde passou a atuar na área de psiquiatria.
Em 1933, ingressou no serviço público como psiquiatra no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental do Hospício Pedro II, instituição que mais tarde seria conhecida como Instituto Nise da Silveira. Sua carreira, no entanto, foi marcada também por perseguições políticas: militante do Partido Comunista Brasileiro, foi presa por 18 meses durante o governo de Getúlio Vargas.
Nise Magalhães da Silveira | Foto: Reprodução
IMPORTÂNCIA HISTÓRICA
Após retornar ao trabalho em hospitais do Rio de Janeiro, em 1944, Nise da Silveira passou a questionar métodos considerados comuns na psiquiatria da época, como eletrochoques, lobotomias e outras práticas agressivas utilizadas no tratamento de pacientes internados.
Em oposição a esses métodos, ela passou a defender uma abordagem mais humanizada no cuidado com pessoas com transtornos mentais. Sua proposta valorizava a expressão artística como forma de tratamento e compreensão da mente humana.
Entre as iniciativas que marcaram sua atuação, incluem-se
Nise também se inspirou nos estudos do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung e ajudou a difundir a psicologia analítica no Brasil. A partir dessas ideias, passou a interpretar as produções artísticas dos pacientes como formas de expressão simbólica do inconsciente.
Além disso, introduziu práticas inovadoras, como o uso de animais domésticos no processo terapêutico, chamados por ela de “co-terapeutas”, buscando estimular vínculos afetivos e melhorar o bem-estar dos pacientes.
Escultura de Nise da Silveira, feita pelo escultor mineiro Léo Santana e inaugurada em 2019 no Corredor Vera Arruda, Maceió | Foto: Reprodução
LEGADO
Nise da Silveira faleceu em 1999, no Rio de Janeiro, aos 94 anos. Seu trabalho deixou profundas transformações na psiquiatria brasileira, especialmente ao defender um atendimento mais humano e menos violento para pessoas com transtornos mentais.
Sua atuação ajudou a consolidar práticas como a arteterapia, hoje utilizada em hospitais psiquiátricos e centros de atenção psicossocial. Ao incentivar a expressão artística, permitiu que pacientes encontrassem novas formas de comunicação e reconstrução de sua relação com o mundo.
O impacto de suas ideias também inspirou a criação de diversas instituições, centros culturais e espaços terapêuticos no Brasil e no exterior que seguem suas propostas de tratamento humanizado.
Entre os principais reconhecimentos de sua trajetória, podem ser mencionados:
Em 2022, após decisão do Congresso Nacional, Nise da Silveira foi incluída no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, reconhecimento oficial que destaca sua contribuição para a história e para o avanço da saúde mental no Brasil.