- Pelo menos seis jogadores da Copa do Mundo de 2026 estão envolvidos em denúncias de crimes sexuais em investigações distintas.
- Ryan Mendes, capitão da Cabo Verde, é investigado na Nova Zelândia por suposto estupro durante amistosos em março.
- A Fifa afirma tratar denúncias de conduta imprópria com seriedade, mas não interveio em investigações em andamento.
- Achraf Hakimi, do PSG e Marrocos, responde a julgamento na França por acusação de estupro de uma jovem de 24 anos.
- Cristiano Ronaldo foi acusado de estupro em 2009, mas o processo foi arquivado em 2022 por falta de provas.
Pelo menos seis jogadores que disputaram a Copa do Mundo de 2026 estiveram envolvidos em denúncias relacionadas a crimes sexuais, em situações jurídicas distintas, que incluem investigações em andamento, processos judiciais e casos encerrados sem condenação. Um dos casos envolve o capitão da seleção de Cabo Verde, Ryan Mendes.
O jogador é investigado pelas autoridades da Nova Zelândia desde abril, após uma brasileira denunciar um suposto estupro ocorrido em março, durante a estadia da delegação no país para amistosos internacionais. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a polícia reuniu imagens de câmeras de segurança do hotel e aguarda os resultados de exames periciais para concluir o inquérito. Ao final da investigação, será decidido se haverá apresentação de denúncia formal à Justiça.
Pela legislação neozelandesa, condenações por crimes de violência sexual podem resultar em penas de até 20 anos de prisão, dependendo da gravidade do caso.
Fifa acompanha investigação
A Fifa informou que trata denúncias de conduta imprópria com "máxima seriedade" e afirmou estar em contato com as autoridades da Nova Zelândia. A entidade ressaltou, porém, que seus órgãos independentes não comentam investigações em andamento.
A seleção do Japão também convocou dois jogadores que estiveram envolvidos em casos de violência sexual. O atacante Junya Ito foi investigado em 2024 após duas mulheres denunciarem suposto abuso sexual em um hotel de Osaka.
O jogador negou as acusações e apresentou uma queixa contra as denunciantes por supostas falsas acusações. Posteriormente, o Ministério Público japonês arquivou o caso por falta de provas, sem apresentar acusações contra nenhuma das partes.
Já o volante Kaishu Sano foi preso em Tóquio, em julho de 2024, após ser acusado de agressão sexual contra uma mulher de 30 anos. O caso também foi encerrado sem condenação, e o atleta retornou ao futebol profissional antes de ser novamente convocado para a seleção japonesa.
Achraf Hakimi responderá a julgamento na França
Outro caso envolve o lateral Achraf Hakimi, da seleção do Marrocos e do Paris Saint-Germain (PSG). O jogador responde na França a uma acusação de estupro feita por uma mulher de 24 anos. Segundo a denúncia, registrada em 2023, Hakimi teria cometido o crime após convidar a jovem para sua residência. O atleta foi indiciado, nega as acusações e aguarda julgamento após o Tribunal de Apelação de Versalhes rejeitar o pedido de arquivamento do processo.
O meio-campista Thomas Partey, da seleção de Gana, também disputa a Copa enquanto responde a sete acusações de estupro e agressão sexual no Reino Unido. As denúncias envolvem diferentes mulheres e fatos que teriam ocorrido entre 2021 e 2022, quando o jogador atuava pelo Arsenal. Partey foi preso em 2025, mas responde ao processo em liberdade mediante fiança. Ele nega todas as acusações. Em razão da investigação, o atleta ficou fora da estreia de Gana na Copa após ter a entrada no Canadá negada.
Cristiano Ronaldo também é citado
A historiadora Fernanda Haag, doutora pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora da relação entre futebol e sociedade, também mencionou o caso de Cristiano Ronaldo. O jogador foi acusado de estupro em um episódio que teria ocorrido em Las Vegas, em 2009. A denúncia ganhou repercussão internacional em 2018, quando foi aberta uma ação judicial. O processo foi arquivado definitivamente em 2022 por falta de provas, e Cristiano Ronaldo sempre negou as acusações.
Em entrevista à revista Marie Claire, Fernanda Haag afirmou que a presença de atletas investigados ou processados em grandes competições levanta questionamentos sobre a responsabilidade das instituições esportivas. Segundo a pesquisadora, a ausência de punições esportivas durante investigações pode gerar uma sensação de impunidade e colocar em segundo plano o debate sobre as vítimas de violência.
Fifa não proíbe participação de investigados
A Fifa informou que não possui uma regra geral que impeça a convocação de jogadores que estejam sendo investigados ou respondendo judicialmente por acusações de estupro ou agressão sexual. De acordo com a entidade, a convocação é de responsabilidade das federações nacionais e, na ausência de uma suspensão disciplinar aplicada pela própria Fifa ou de uma decisão judicial que impeça o exercício da profissão, os atletas permanecem aptos a disputar competições oficiais.