Chuva no RS foi mais concentrada e intensa do que em cheia histórica de 1941

Especialistas afirmam que mudanças climáticas podem ter interferido para agravar fenômeno

Avalie a matéria:
Imagens mostram a enchente do Guaíba em 1941 e em 2024 | Foto: Reprodução
FACEBOOK WHATSAPP TWITTER TELEGRAM MESSENGER

Desde o início da tragédia que assola o Rio Grande do Sul, especialistas têm estabelecido comparações entre as atuais inundações e as cheias de 1941 no Guaíba, em Porto Alegre. Foi constatado que o desastre atual foi mais devastador do que o anterior - o nível do lago ultrapassou o antigo recorde de 4,76 metros e atingiu nesta semana a marca de 5,33 metros. Para contextualizar, é importante notar que as enchentes costumam ocorrer a partir de 3 metros de altura. 

INTENSIDADE DAS CHUVAS: No entanto, um levantamento da Rhama Analysis, uma empresa de engenharia especializada em recursos hídricos, divulgado na sexta-feira (10), oferece uma visão mais precisa de um dos elementos-chave para compreender a maior gravidade em 2024: a intensidade e a distribuição das chuvas.

Enchente de 1941 em Porto Alegre (RS) - Imagem: Reprodução / Acervo do Museu Joaquim Felizardo

VELOCIDADE NA ELEVAÇÃO DO GAÍBA: Em 1941, o nível do Guaíba levou 10 dias para subir de 1,16 metro para a marca histórica de 4,76 metros. Desta vez, em 2024, apesar da presença das comportas, construídas apenas na década de 1970, foram necessários apenas 6 dias para que o nível do lago subisse de 1,24 metro para os impressionantes 5,33 metros.

RECORDE BATIDO: Em 1941, as chuvas foram mais persistentes, afetando Porto Alegre por aproximadamente 12 dias, embora com volumes diários menores. Já em 2024, a tempestade foi mais intensa, caracterizada por acumulados médios diários mais elevados, concentrados em cerca de 4 dias consecutivos. 

POPULAÇÃO PEGA DE SURPRESA: A consequência prática dessa mudança é diretamente sentida pela população: quando a inundação ocorre de forma repentina, com chuvas intensas e concentradas em poucos dias, a Defesa Civil tem menos tempo para comunicar quem está em área de risco e implementar um eventual plano de contingência.

Enchente atual do Guaíba - Foto: Gustavo Mansur/ Palácio Piratini

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: Segundo Bruno Bainy, meteorologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a região Sul do Brasil tende a apresentar um aumento anual no acumulado de chuvas, como parte das mudanças climáticas. No entanto, ele ressalta que não apenas a precipitação determina novas inundações, sendo influenciadas também pelo vento e características geográficas locais. Bainy destaca a importância de estudos de simulação computacional da atmosfera para entender o impacto das mudanças climáticas nas tragédias no RS.



Participe de nossa comunidade no WhatsApp, clicando nesse link

Entre em nosso canal do Telegram, clique neste link

Baixe nosso app no Android, clique neste link

Baixe nosso app no Iphone, clique neste link


Tópicos
SEÇÕES