- Novas regras de doação de sangue no Brasil entram em vigor hoje, quarta-feira (30), com atualizações nos critérios de avaliação e redução de períodos de impedimento.
- Doadores acima de 70 anos podem continuar doando, desde que em boas condições de saúde e aprovados durante a triagem do serviço de hemoterapia.
- Tempo de espera para doação após tatuagem, maquiagem definitiva e procedimentos estéticos é reduzido para sete dias, caso comprovada segurança sanitária.
- Testagem para malária passa a ser obrigatória na triagem de sangue, utilizando tecnologia NAT Plus, já usada para identificar HIV e hepatites.
- Doadores que usam medicamentos GLP-1 têm avaliação individual, com possibilidade de inaptidão temporária em casos de efeitos adversos ou uso compartilhado.
As novas regras para doação de sangue no Brasil entram em vigor hoje, quarta-feira (30). As alterações foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde e atualizam os critérios para avaliar quem pode doar, além de reduzir o período de impedimento em algumas situações.
Entre as principais mudanças está a possibilidade de doadores habituais continuarem doando depois dos 70 anos, desde que estejam em boas condições de saúde e sejam considerados aptos durante a avaliação do serviço de hemoterapia.
A nova regulamentação também diminui o tempo de espera para pessoas que fizeram tatuagem, maquiagem definitiva, micropigmentação e alguns procedimentos estéticos. Quando for possível comprovar que o procedimento foi realizado em condições adequadas de segurança sanitária, o período de espera passa a ser de sete dias. Caso não seja possível confirmar essas condições, o prazo é de quatro meses.
O que muda para quem fez tatuagem ou piercing?
Antes, quem fazia tatuagem ou maquiagem definitiva precisava aguardar até seis meses para voltar a doar quando o procedimento era realizado em estabelecimento considerado seguro. Em algumas situações, o período podia chegar a 12 meses.
Com a nova regra, o intervalo pode cair para sete dias, desde que seja possível comprovar a segurança sanitária do procedimento. Para piercings, também há redução do prazo, mas aqueles colocados na cavidade oral ou na região genital têm regras específicas, com espera de quatro meses após a retirada.
Procedimentos como endoscopia e laparoscopia também passam a ter um período de impedimento menor, de quatro meses em vez de seis.
Quem usa Ozempic e medicamentos semelhantes pode doar?
O uso de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, passa a ser avaliado de acordo com a condição clínica do candidato.
Segundo orientação do Ministério da Saúde, o uso desses medicamentos pode levar a uma inaptidão temporária quando estiver associado a situações como vômitos, diarreia ou desidratação, início ou aumento recente da dose ou compartilhamento de medicamento injetável. A decisão é feita durante a triagem.
Teste para malária passa a fazer parte da triagem
Outra mudança importante é a inclusão obrigatória da testagem para malária nas análises do sangue doado.
O teste será realizado pelo NAT Plus, tecnologia que já é utilizada para identificar HIV e os vírus das hepatites B e C. Com a nova avaliação, pessoas que tiveram exposição à malária em determinadas situações poderão ter um período de espera reduzido para 30 dias.
Pessoas que tiveram câncer também terão novas regras
A regulamentação também altera os critérios para alguns candidatos que já tiveram câncer. Para determinados tipos da doença, a doação poderá ser considerada após cinco anos do término do tratamento e em situação de remissão.
Existem, porém, exceções, como casos de melanoma e alguns cânceres do sistema hematopoético, que continuam sujeitos a restrições específicas. A avaliação deve ser feita pelo serviço de hemoterapia.
Prazo de armazenamento das plaquetas aumenta
As novas regras também alteram o armazenamento das plaquetas, componentes do sangue utilizados principalmente em pacientes com câncer, pessoas em tratamento quimioterápico e pacientes com doenças hematológicas.
O prazo, que anteriormente era de cinco dias, pode chegar a sete dias, desde que sejam cumpridos os critérios de controle de qualidade. A mudança pode ajudar a diminuir o descarte e ampliar a disponibilidade do componente para transfusões.
Quem pode doar sangue?
Apesar das mudanças, os requisitos básicos continuam. O candidato precisa estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar alimentado e descansado e apresentar documento oficial com foto.
Adolescentes de 16 e 17 anos podem doar mediante autorização do responsável legal. Antes da coleta, todos os candidatos passam por uma triagem, na qual profissionais de saúde avaliam as condições individuais e verificam se há algum motivo temporário ou permanente que impeça a doação.
Em caso de dúvida sobre medicamentos, doenças, viagens ou procedimentos recentes, a orientação é informar a situação durante a triagem. A avaliação individual determina se a pessoa está apta a doar naquele momento.
Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de 3,2 milhões de coletas de sangue, o equivalente a 15,29 doações para cada mil habitantes.
A atualização das regras busca adequar os critérios de doação aos avanços nos exames e na avaliação dos candidatos, reduzindo períodos de impedimento em situações consideradas de menor risco, sem retirar as etapas de segurança para quem doa e para quem recebe o sangue.