- Brasil e Estados Unidos retomam negociações sobre tarifas após ligação entre Lula e Trump.
- Reunião por videoconferência entre MDIC e representante comercial norte-americano.
- Estados Unidos aplica tarifa de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros.
- Medidas afetam 23,1% das exportações brasileiras, com sobretaxa de até 37,5%.
- Governo brasileiro avalia negociação após eleições, mantendo pontos estratégicos.
Brasil e Estados Unidos retomam, nesta segunda-feira (31), as negociações sobre as tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. O encontro será realizado por videoconferência, a partir das 14h30, entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
A reunião ocorre após o telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump, em 21 de agosto, que abriu espaço para a retomada das conversas entre os dois países.
Os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Além dessa cobrança, o Brasil também foi incluído em outra medida tarifária, com alíquota de até 12,5%, relacionada a países considerados insuficientes no combate à entrada de produtos associados ao trabalho escravo.
IMPACTO SOBRE EXPORTAÇÕES
Segundo o MDIC, as duas medidas atingem, de forma isolada ou conjunta, cerca de 23,1% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, considerando os dados de comércio de 2024.
Em 16,5% das exportações, as duas tarifas incidem simultaneamente. Nesses casos, a sobretaxa pode chegar a 37,5%.
| Situação | Tarifa adicional |
|---|---|
| Produtos atingidos pela primeira medida | 25% |
| Segunda medida | Até 12,5% |
| Produtos sujeitos às duas cobranças | Até 37,5% |
| Exportações brasileiras atingidas por uma ou ambas | 23,1% |
| Exportações sujeitas às duas tarifas | 16,5% |
Apesar da reabertura do diálogo, o governo brasileiro avalia que uma solução para o impasse não deve ser alcançada rapidamente. A expectativa, segundo integrantes do governo, é de que uma eventual negociação mais ampla possa avançar somente depois das eleições.
Lula tem defendido que todos os temas podem ser discutidos com os Estados Unidos, mas o governo pretende preservar pontos considerados estratégicos para o país, entre eles os minerais críticos e o Pix.
BRASIL ADMITE DISCUTIR ALGUNS SETORES
Entre os temas que podem entrar nas conversas está a redução de tarifas brasileiras sobre determinados bens de capital. O governo também admite avaliar questões relacionadas ao etanol norte-americano, desde que a discussão considere toda a cadeia de produção de biocombustíveis e açúcar.
Atualmente, o Brasil cobra 18% de tarifa sobre o etanol de milho importado dos Estados Unidos. Antes das recentes mudanças tarifárias, os norte-americanos aplicavam uma taxa de 12,5% sobre o etanol brasileiro.
PROCESSO PARA POSSÍVEL RECIPROCIDADE
Enquanto tenta avançar nas negociações, o governo brasileiro também iniciou o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica. A medida foi aberta em 13 de agosto, quando os Estados Unidos foram oficialmente notificados pelo Brasil.
O mecanismo permite a adoção de contramedidas diante de ações unilaterais de outros países consideradas prejudiciais à competitividade brasileira. A abertura do procedimento, no entanto, não significa que uma retaliação será aplicada imediatamente.
Antes de qualquer decisão, o governo precisa analisar as medidas consideradas prejudiciais, os setores afetados e os possíveis impactos econômicos.
A Lei da Reciprocidade Econômica foi sancionada em abril de 2025 e regulamentada posteriormente. Entre as possibilidades previstas estão a suspensão de concessões comerciais e de investimentos e de determinadas obrigações relacionadas à propriedade intelectual.
O governo brasileiro afirma que tentou, ao longo do último ano, apresentar aos Estados Unidos argumentos contra a investigação comercial e considera as tarifas aplicadas ao país injustificadas.