- A taxa de desaprovação do presidente Donald Trump atingiu o maior nível já registrado na pesquisa Washington Post-ABC News/Ipsos.
- 62% dos entrevistados desaprovam a gestão de Trump, enquanto 37% aprovam.
- A rejeição cresce em ano eleitoral, com democratas mais mobilizados e vantagem do partido na disputa pela Câmara dos Representantes.
- O conflito com o Irã amplia desgaste político para Trump, com 66% desaprovando a atuação do presidente no conflito.
A taxa de desaprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atingiu o maior nível já registrado pela pesquisa Washington Post-ABC News/Ipsos, divulgada neste domingo (3). O levantamento aponta crescimento da rejeição à gestão republicana em meio ao avanço das críticas relacionadas à guerra com o Irã e ao aumento do custo de vida no país.
Realizada entre os dias 24 e 28 de abril com 2.560 adultos, a pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais. Segundo os dados, 62% dos entrevistados desaprovam o desempenho de Trump, enquanto 37% aprovam sua gestão.
Rejeição cresce em ano eleitoral
A poucos meses das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro, o cenário político é considerado desafiador para o Partido Republicano. O levantamento aponta democratas mais mobilizados eleitoralmente e aumento da vantagem do partido na disputa pela Câmara dos Representantes.
Na pesquisa, os democratas aparecem com 49% das intenções de voto, contra 44% dos republicanos; diferença maior do que a registrada em fevereiro.
A avaliação negativa do governo também se concentra em temas econômicos. Segundo o levantamento, 76% desaprovam a condução do custo de vida, enquanto 72% rejeitam a gestão da inflação.
Guerra com o Irã amplia desgaste
A condução da guerra com o Irã também aparece como um dos principais fatores de desgaste político para Trump. De acordo com a pesquisa, 66% desaprovam a atuação do presidente no conflito, enquanto 61% consideram a guerra um erro.
Dois meses após o início da ofensiva militar, os Estados Unidos enfrentam impactos econômicos e diplomáticos relacionados ao conflito. O Pentágono estimou em US$ 25 bilhões, cerca de R$ 126 bilhões, os custos da guerra até o momento. Além disso, os mercados de energia seguem sob pressão diante da instabilidade na região do Golfo Pérsico.
Trump voltou a defender a operação militar iniciada ao lado de Israel em 28 de fevereiro, argumentando que o Irã não pode desenvolver armas nucleares. Apesar das ofensivas contra alvos militares iranianos e da morte de importantes líderes do país, o governo iraniano permanece em funcionamento e mantém capacidade de reação militar.
Críticas dentro e fora dos EUA
O conflito também ampliou tensões diplomáticas entre Washington e aliados europeus. Após declarações do chanceler alemão, Friedrich Merz, criticando a condução da guerra, Trump reagiu publicamente e anunciou a retirada de milhares de soldados americanos da Alemanha.
Internamente, parte dos republicanos também passou a questionar os custos políticos e econômicos da guerra, especialmente em ano eleitoral. O presidente enfrenta críticas após decidir não solicitar autorização formal do Congresso para prolongar o conflito, mesmo após o prazo legal previsto pela legislação americana.
O estrategista republicano Matthew Bartlett, ex-integrante do Departamento de Estado no primeiro governo Trump, afirmou que as mensagens contraditórias da Casa Branca têm ampliado a percepção de instabilidade política. Segundo ele, os cenários político, econômico e diplomático seguem em deterioração à medida que o conflito avança.