- Presidente do Paraguai mantinha participação no grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025.
- Intervenção do Banco Central deixou 3 milhões de clientes sem acesso a contas e serviços bancários.
- Crise provocou protestos, prisões de dirigentes e renúncia do presidente do Banco Central.
- Santiago Peña anunciou renúncia à Presidência após pressão política e pedidos de impeachment.
- Jogadores da seleção paraguaia manifestaram apoio aos clientes afetados pela crise do banco.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, manteve participação societária no grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025, instituição financeira que passou por intervenção do Banco Central após apresentar índice de solvência inferior à metade do mínimo exigido por lei. O banco administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo verbas da Previdência e do Ministério da Saúde, e a suspensão das operações deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas e aos serviços bancários. A crise provocou protestos, prisões de dirigentes e a renúncia do presidente do Banco Central. Nesta quinta-feira (5), Peña também anunciou que deixará a Presidência do país.
Ligação de Peña com o banco
A relação empresarial de Santiago Peña com o Ueno Bank passou a ser um dos pontos de pressão política sobre o governo paraguaio. O presidente foi acionista da Ueno Holding, empresa ligada à estrutura de controle da instituição financeira, e deixou de integrar o quadro societário em março de 2025.
O banco pertence ao Grupo Vázquez e se tornou uma das principais instituições financeiras do Paraguai, com aproximadamente 3 milhões de clientes. Entre os recursos administrados estavam valores do Instituto de Previdência Social e de órgãos públicos, incluindo o Ministério da Saúde. A situação também levantou preocupações sobre o pagamento de benefícios a aposentados.
Intervenção deixou clientes sem acesso às contas
O Banco Central do Paraguai determinou, em 3 de novembro, o início de um processo de resolução bancária do Ueno Bank. A medida foi tomada depois que uma análise identificou que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do patamar mínimo previsto na legislação.
Com a intervenção, as operações do banco foram suspensas. Clientes ficaram sem conseguir movimentar dinheiro, acessar aplicativos e utilizar cartões. Entre os afetados estão brasileiros que vivem no Paraguai e dependem dos serviços da instituição.
A investigação também apontou problemas em operações de crédito envolvendo empresas relacionadas ao grupo controlador. A Justiça determinou a prisão de oito dirigentes atuais e antigos do banco, no âmbito das apurações sobre a situação financeira da instituição.
Protestos aumentaram pressão sobre o governo
A crise provocou manifestações em Assunção, capital do Paraguai. Na terça-feira (3), manifestantes foram às ruas para cobrar a liberação do dinheiro retido no banco e pedir o impeachment de Santiago Peña. Os atos foram reprimidos pelas forças de segurança.
A repercussão levou o presidente da Câmara dos Deputados a convocar sessões extraordinárias para discutir o caso. Parlamentares da oposição também apresentaram pedidos de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana, responsabilizando o governo pela crise.
A crise atingiu ainda a cúpula do sistema financeiro paraguaio. Carlos Carvallo renunciou à presidência do Banco Central após a intervenção na instituição. Ele havia comandado o Ueno antes de assumir o órgão regulador, em 2023.
Nesta quinta-feira (5), em meio à pressão política e aos pedidos de impeachment, Santiago Peña anunciou sua renúncia à Presidência. Ele afirmou que a decisão busca preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas.
Jogadores da seleção também foram afetados
O Ueno Bank também patrocinava a seleção paraguaia de futebol. Após a intervenção, jogadores da equipe divulgaram manifestações de solidariedade aos clientes prejudicados. Alguns atletas também mantinham recursos na instituição.
Em posicionamento público, os jogadores cobraram rapidez e transparência das autoridades na apuração do caso e na proteção das pessoas que ficaram sem acesso ao próprio dinheiro.