O Ministério Público do Trabalho no Piauí (MPT-PI) deve apurar a denúncia de que piauienses também estariam entre as vítimas de trabalho análogo à escravidão em Santa Catarina. O órgão foi informado pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos de Timon (MA), que acolheu, nesta semana, 24 timonenses submetidos a essa situação.
A Rede Meio Norte foi informada sobre a possível presença de piauienses na mesma empresa denunciada pelos timonenses. Diante disso, procurou o MPT-PI, que entrou em contato com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos de Timon e obteve a confirmação da ocorrência.
Conforme o MPT-PI, caberá à Justiça do Trabalho de Santa Catarina decidir sobre eventuais responsabilizações em favor dos trabalhadores. Caso a denúncia seja confirmada, os piauienses deverão retornar ao estado, onde serão acolhidos pela Secretaria Estadual da Assistência Social (SASC). A Procuradoria Regional do Trabalho no Piauí também acompanhará o caso para garantir que eventuais indenizações e sanções sejam efetivamente aplicadas e cheguem às vítimas.
Assista à chegada dos timonenses!
O QUE ACONTECEU?
O caso de trabalho análogo à escravidão em uma empresa de maçãs, em Santa Catarina, veio à tona após um timonense conseguir entrar em contato com a família e denunciar a situação. A partir disso, a Prefeitura de Timon passou a acompanhar o caso e, nesta semana, realizou o resgate de 24 trabalhadores.
Assista à reportagem!
Nesta segunda-feira (2), o município se reuniu com a Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo do Maranhão, além do SINE e outras pastas municipais. O objetivo foi ouvir os trabalhadores e garantir a eles oportunidades de emprego, acompanhamento social e orientação jurídica.
O Governo do Estado deu todo o suporte, e a Secretaria Municipal de Direitos Humanos de Timon também teve um papel fundamental, com a Secretaria Estadual, para que toda essa tratativa, essa articulação fosse feita [...] nós temos informações que possam ser relevantes para encaminhamentos pela Procuradoria Municipal e também o Ministério Público do Trabalho, que foi oficializado, disse Juliana Lopes.
Assista à entrevista!
Segundo relatos dos próprios trabalhadores, mais de 60 pessoas saíram no dia 4 de fevereiro atraídas por uma proposta de emprego com boas condições no estado catarinense. No entanto, ao chegarem ao local, encontraram um cenário de degradação: falta de água e comida, ausência de alojamento adequado e até mesmo ausência de pagamento de salários. Há caso de morte por envenenamento.
O próprio Ministério Público do Trabalho também abriu a investigação e, obviamente, apurou todas essas denúncias que os trabalhadores estão fazendo com relação à empresa que, de fato, os contratou para coletar maçãs, mas que, infelizmente, o ambiente em que eles se encontravam não era um ambiente digno do trabalho, disse o prefeito de Timon, Rafael Brito.
OUTRO LADO
O MeioNews procurou a empresa Fischer Frutas, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.