- Policia Civil concluiu inquérito sobre morte de Jesus Garcia, atribuindo causa à descarga elétrica durante trabalho em poço.
- Proprietário e funcionário da empresa indiciados por homicídio culposo majorado por falta de EPI e condições precárias.
- Corpo foi exumado após laudo pericial inconclusivo, revelando marca compatível com entrada de corrente elétrica.
- Delegado destacou que acidente ocorreu por braço do caminhão tocar fio de alta tensão durante perfuração do poço.
- Família agradeceu ao delegado e à imprensa pelo apoio e pela reabertura do caso após inicialmente atribuir morte a mal súbito.
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte do jovem Jesus Garcia de Sousa Santos e constatou que a causa do óbito foi uma descarga elétrica sofrida enquanto ele atuava na perfuração de um poço tubular. O proprietário da empresa responsável pelo serviço e um funcionário que acompanhava a vítima no momento do acidente foram indiciados por homicídio culposo majorado.
Jesus Garcia foi encontrado sem vida em 29 de dezembro de 2025, enquanto trabalhava em uma fazenda na região do Pé da Serra. Em entrevista à Rede Meio Norte, o delegado Herdeson Bernardo informou que a perícia técnica constatou que o caminhão utilizado para perfurar o poço estava estacionado debaixo de um fio de alta tensão.
[O caminhão] ele tem um braço que levanta, né? E possivelmente levantou esse braço, tocou no fio e houve possivelmente a descarga elétrica que veio ocasionar a morte do Gabriel Jesus. Nesse momento também, por meio de investigação, nós descobrimos que houve uma queda de energia na região, disse o delegado.
Segundo a autoridade policial, foi encontrada no corpo da vítima uma marca compatível com a entrada ou saída de corrente elétrica. O delegado destacou ainda que Jesus Garcia trabalhava em regime de emprego informal e sem qualquer Equipamento de Proteção Individual (EPI).
Ele se encontrava de chinelo, sem capacete, sem luva. Então, esse homicídio ele se torna majorado por essa questão. Era um emprego informal. Tava fazendo o serviço para aquela empresa que tava perfurando o poço e não foi fornecido para ele ou exigido que ele usasse nenhum EPI, que é o equipamento de proteção individual exigido nesses casos, especialmente nesses casos que geram perigos.
Diante dessa situação, o proprietário da empresa e o funcionário que estava com Jesus Garcia no momento do acidente foram indiciados. O inquérito policial foi encaminhado ao Ministério Público de Campo Maior, que agora decidirá se oferece ou não denúncia formal à Justiça.
À Rede Meio Norte, o pai da vítima, Gilberto Santos, agradeceu ao delegado, ao promotor de Justiça e ao apoio da imprensa do Piauí no caso. Ele também desabafou sobre as dificuldades enfrentadas pela família para provar a real causa da morte.
Nós todos da família sabia do que meu filho tinha morrido. Só que a empresa e uma parte da polícia de Campo Maior fez uma coisa errada, que fez esse laudo de um mal súbito. Mas graças a Deus e a Justiça, foi tomada a providência, disse o pai.
CORPO FOI EXUMADO
Inicialmente, a morte foi atribuída a um suposto mal súbito. No entanto, no dia 15 de janeiro de 2026, a Justiça autorizou a exumação do corpo após parecer favorável do Ministério Público do Piauí (MPPI) ao pedido da família.
O corpo de Jesus Garcia de Sousa Santos foi exumado no dia 20 de fevereiro deste ano. O laudo pericial foi inconclusivo. Conforme apurado pela reportagem, a Polícia Civil concluiu o inquérito com base nas imagens produzidas pela perícia, nos levantamentos realizados no local da ocorrência e nas demais provas reunidas ao longo da investigação.