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Falsas cartas de crédito: investigação revela papel de mais dois envolvidos no golpe no Piauí

O esquema criminoso de falsas cartas de crédito já fez mais de 144 vítimas apenas no estado.

Na imagem, supostos laranjas em esquema de falsos consórcios | Arquivo obtido pelo MeioNews

Luis Eduardo da Silva Rocha e Williams Dias Xavier são mais dois nomes identificados no quebra-cabeça montado pela Polícia Civil do Piauí e presos por envolvimento em um esquema criminoso de falsas cartas de crédito, que já fez mais de 144 vítimas apenas no estado.

As prisões fazem parte de duas ações policiais realizadas na última quinta-feira (29), quase que simultaneamente, nas cidades de Teresina e Parnaíba.

Multimarcas Consórcio | FOTO: Denis Constantino

OPERAÇÃO

Na operação deflagrada no Litoral do estado, a Polícia Civil determinou a interdição de uma empresa de cartas de crédito em Parnaíba, além da suspensão das atividades econômicas pelo prazo de 90 dias, medida necessária para aprofundar as investigações.

Multimarcas Conscórcio em Parnaíba | FOTO: Arquivo obtido pelo MeioNews

Ainda nessa ação, foram cumpridos três novos mandados de prisão. Um deles contra o primeiro empresário preso, identificado pelas iniciais R.D.S., que já se encontra recolhido na Cadeia Pública de Altos. Outro mandado foi cumprido contra Williams Dias Xavier, ex-funcionário da empresa, localizado em um povoado no município de Luís Correia. Já Luis Eduardo da Silva Rocha foi preso na cidade de São Luís (MA), onde é proprietário de outra empresa que atuava no mesmo ramo.

Luis Eduardo da Silva Rocha | FOTO: Redes Sociais

A segunda ação ocorreu em Teresina e resultou na suspensão das atividades econômicas da empresa Dias Soluções Investimentos e Multimarcas Consórcios, situada no Centro da capital.

COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA?

De acordo com a investigação, não há dúvidas de que o grupo criminoso prometia acesso rápido ao crédito, mediante o pagamento de valores iniciais apresentados como uma espécie de “entrada”. No entanto, após o recebimento dos valores, os clientes não tinham acesso às cartas de crédito prometidas, caracterizando o golpe.

Williams Dias Xavier | FOTO: Reprodução

No dia 6 de janeiro, a Polícia Civil identificou e prendeu o primeiro empresário do esquema, R.D.S., apontado como líder e um dos principais articuladores da organização criminosa. Ele conseguiu uma liminar judicial que proíbe a divulgação do seu nome completo.

Primeiros presos por falsas cartas de crédito | FOTO: Reprodução

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi o rápido crescimento patrimonial do suspeito. Em curto período de atuação na cidade de Timon (MA), ele teria adquirido veículos de alto padrão, além de jet ski e lancha, bens incompatíveis com a renda declarada.

Já no dia 15 de janeiro, foi preso em Teresina Arnaldo Pereira da Silva Filho, que atuava como supervisor da empresa Multimarcas Consórcio, também conhecida como Dias Prime, em Parnaíba. Segundo a Polícia, Arnaldo exercia papel estratégico na manutenção do esquema. Ele orientava vendedores a convencer clientes de que estariam adquirindo cartas de crédito já contempladas, reforçando a promessa de liberação rápida dos recursos.

Quando os clientes retornavam à loja reclamando do descumprimento dos prazos, Arnaldo intervinha alegando que os funcionários haviam repassado informações equivocadas, numa tentativa de conter as denúncias.

NOVOS DESDOBRAMENTOS

A reportagem teve acesso a novos prints e áudios que demonstram como funcionava a abordagem de Luis Eduardo da Silva Rocha às vítimas. Após a venda da falsa carta de crédito, uma das vítimas passou a ser constantemente “enrolada” com mensagens de áudio prometendo que o negócio seria concluído dentro do prazo estabelecido.

Conversas entre uma vítima e um dos envolvidos | FOTO: Arquivo obtido pelo MeioNews

Em um dos relatos, a vítima afirma que o sonho da casa própria foi comprometido após a promessa não cumprida. O prejuízo foi de R$ 12 mil. Assim que o valor da suposta entrada foi depositado, Luis Eduardo teria iniciado um jogo de adiamentos sucessivos. A tentativa de reembolso não teve sucesso. Os contatos ocorreram entre maio e junho de 2024.

Segundo a investigação, Luis Eduardo foi encarregado pelo primeiro empresário preso de abrir a loja do grupo em Parnaíba. Antes disso, ele já havia atuado em Timon (MA), onde também teria atraído diversas vítimas utilizando o mesmo modus operandi. Um outro associado que ainda permanece atuando no município maranhense pode se tornar alvo da polícia nos próximos dias.

 Williams Dias Xavier era responsável pelo setor financeiro do grupo, além de atuar nos processos internos de contemplação e faturamento.

MUDANÇA DE NOMES E EMPRESAS

Outro detalhe identificado pela Polícia Civil é a estratégia de abrir vários CNPJs, com diferentes nomes empresariais, para dificultar o rastreamento financeiro e atrasar investigações. No endereço da empresa localizada em Teresina, além da Multimarcas Consórcio, outros dois negócios funcionavam no mesmo local, o que dificultou a interdição completa do prédio.

Além das suspensões, a Polícia cumpriu dois mandados de busca e apreensão contra Amanda Cristine de Araújo Oliveira e Marcos Vinícius Albuquerque.

Amanda Cristine de Araújo Oliveira, suspeita de golpes em consórcios | FOTO: Redes Sociais

No endereço de Amanda, em Timon (MA), os policiais constataram que o apartamento estava fechado e que ela não estaria frequentando o imóvel há cerca de duas semanas. Já na residência de Marcos Vinícius, foram apreendidos dinheiro em espécie e documentos.

Todos os investigados respondem por suposta prática dos crimes de estelionato e associação criminosa, com investigações em curso desde 2023.

FALSAS PUBLICAÇÕES NAS REDES SOCIAIS

A Polícia Civil também apura se o grupo utilizava “laranjas” para divulgar, nas redes sociais, falsas contemplações, com o objetivo de atrair novas vítimas e dar aparência de credibilidade ao esquema.

Supostos laranjas envolvidos no esquema | FOTO: Redes Sociais

As investigações seguem para identificar todos os envolvidos, incluindo a esposa de um dos integrantes presos. Outros funcionários das empresas também estão sendo investigados para apurar se tinham conhecimento prévio do funcionamento fraudulento do esquema.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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