- O médico Drauzio Varella alertou sobre a importância do saneamento básico para a redução da mortalidade infantil.
- Ele destacou que a melhoria das condições sanitárias foi fundamental para o aumento da expectativa de vida no Brasil, que hoje é de 76 anos.
- Varella criticou a falta de prioridade histórica em resolver o problema do saneamento e estimou que investir em saneamento gera economia direta.
- O Nordeste precisa avançar mais rápido no acesso ao saneamento para reduzir desigualdades regionais e melhorar indicadores de saúde.
Durante palestra no lançamento do movimento "Saneamento Salva", nesta segunda-feira (8), em Teresina, o médico Drauzio Varella fez um alerta contundente: o saneamento básico foi um dos principais responsáveis pelo aumento da expectativa de vida no Brasil.
Ao relembrar o início de sua carreira, ele descreveu um cenário marcado por alta mortalidade infantil, especialmente causada por doenças relacionadas à falta de condições sanitárias.
“Chegavam crianças desidratadas em massa e morriam uma atrás da outra”, relatou.
Médico Dr. Drauzio Varella | Foto: Bruna Alencar/MeioNews
IMPACTO DIRETO NA EXPECTATIVA DE VIDA
Varella citou estudos da década de 1960 que apontavam que até 92% das crianças em áreas periféricas tinham verminoses. Segundo ele, essa realidade não se limitava às regiões mais pobres, mas também atingia grandes centros urbanos.
A transformação, afirmou, veio principalmente com a melhoria das condições sanitárias, além de avanços como vacinação e antibióticos.
O médico destacou que a redução da mortalidade infantil tem efeito decisivo nos indicadores de longevidade. Quando ele nasceu, a expectativa de vida no Brasil não chegava a 50 anos. Hoje, está em torno de 76 anos, com mulheres próximas dos 80. Para ele, o saneamento teve papel central nessa mudança.
Mesmo com avanços, Varella ressaltou que doenças como verminoses e infecções gastrointestinais continuam sendo problemas relevantes, especialmente entre crianças.
Ele alertou que infecções recorrentes comprometem o desenvolvimento infantil, afetando inclusive o sistema imunológico e aumentando a vulnerabilidade ao longo da vida.
Crítica à falta de prioridade histórica
Um dos pontos mais enfáticos da fala foi a crítica à lentidão na resolução do problema.
Há 80 anos se diz que o grande problema da saúde pública no Brasil é a falta de saneamento. Não é possível que estamos em 2026 repetindo o mesmo argumento de décadas atrás.
O médico também destacou que investir em saneamento gera economia direta. Segundo ele, a cada real investido, economizam-se três reais em saúde pública, estimativa que considera conservadora.
Além disso, afirmou que os benefícios começam a aparecer logo no início das intervenções, sem necessidade de conclusão total das obras.
Nordeste precisa avançar mais rápido
Sobre o Piauí e o Nordeste, o médico reconheceu avanços, mas avaliou que eles ainda ocorrem em ritmo inferior ao necessário. Para ele, acelerar o acesso ao saneamento é essencial para reduzir desigualdades regionais e melhorar indicadores de saúde.
Encerrando sua participação, Varella reforçou que o saneamento precisa deixar de ser visto como algo invisível.
"Fica embaixo da terra, ninguém vê, mas salva vidas”, finalizou.
A fala reforçou o principal objetivo do movimento: transformar o saneamento em prioridade coletiva e permanente.