Atualizada às 9h58.
Victor Gomes de Carvalho usou uma pedra para desfigurar o rosto do pai, além de esfaqueá-lo, segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko. A declaração foi feita na manhã desta quinta-feira (29), durante coletiva de imprensa. Durante depoimento, o suspeito confessou o crime.
"Uma execução realmente terrível, com golpe de faca no tórax no rosto. Estava todo desfigurado. O informe, que a gente está tentando apurar essa informação de forma precisa, é que foi usada uma pedra no rosto da vítima, para desfigurar o rosto da vítima", disse o delegado-geral.
A vítima trata-se de Sebastião da Cruz de Oliveira, morto nesta segunda-feira (26), na região do bairro Santa Bárbara, na zona Leste de Teresina. Segundo a autoridade, Victor é usuário de drogas e faz uso de diversos entorpecentes.
Logística do crime
Ambos moravam juntos na mesma casa. O delegado Francisco Costa, o 'Baretta', coordenador do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), destacou que vizinhos relataram que as discussões eram constantes e explicou como a briga do dia do crime começou. "O pai dele terminou de chegar em casa, ele foi fazer uma comida e passou a proferir xingamentos contra ele [Victor]".
Conforme o delegado Danúbio Dias, durante o depoimento, Victor relatou que ele teria pegado uma faca de cabo vermelho que estava sobre a mesa, enquanto o pai pegou um facão. Ele ainda informou que o suspeito admitiu que deu o primeiro golpe e que continuou atacando mesmo após a vítima cair.
"Ele confessa que o primeiro golpe foi ele que desferiu. Segundo os relatos dele, esse primeiro golpe foi dele. [...] Segundo ele, após a vítima cair, ele se ajoelha e desfere mais golpes, vários golpes, pelo tórax e principalmente na face. Ele confessa que furar os olhos foi intencionalmente. E após a faca quebrar, nesse momento que a faca quebra, que ele para de golpear com a faca, nesse momento, ele pega uma pedra pesada que estava na cozinha e joga essa pedra contra a cabeça do pai. Em seguida, ele ver a cabeça esmagada do pai e começa a vomitar. Em seguida, ele alega que vai ao banheiro, toma banho, pega a moto do pai e foge", afrimou o delegado.
Em um vídeo, Victor afirma que teria se “defendido” do pai. No entanto, durante a coletiva, o delegado Divanilson Sena reforçou que a polícia não acredita que tenha sido em legítima defesa.
"A gente tem bastantes elementos. Inclusive, testemunhas relataram que eram constantes as discussões dele solicitando dinheiro para comprar droga. A discussão por causa o uso, ele ficava alterado, falando coisas indevidas. Então a gente não acredita nessa situação de legítima defesa que ele alega", completou.
INCENDIOU A CASA DA MÃE
Durante a coletiva, o coordenador do DHPP, Victor morava com a mãe, mas foi morar na casa do pai após episódios de violência. Antes disso, ainda conforme as investigações, ele teria incendiado a residência da mãe.
FUGA
Na terça-feira (27), durante as diligências, uma equipe do 29º Batalhão chegou a visualizar o suspeito trafegando na motocicleta, conseguindo interceptá-lo nas proximidades da empresa Ambev, na BR-343. Após cair do veículo, o indivíduo voltou a fugir pela mata. As forças policiais continuaram em diligências para capturá-lo.
PRISÃO
Já na madrugada desta quinta-feira (29), ele se entregou em um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ele estava nu no momento da prisão.
"Nós continuamos a diligência. E como a gente já imaginava que de alguma forma ele seria preso, ele se aproximou do posto da PRF durante a madrugada e as nossas viaturas empenhadas, foram acionadas, chegaram e já fizeram a condução dele", afirmou o subcomandante-Geral da Polícia Militar do Piauí, coronel Costa Lima.
DEPOIMENTO EM VÍDEO DO SUSPEITO
Após se entregar, Victor afirmou, em vídeo, que matou o próprio pai por vingança e por causa dos xingamentos. Ele alegou ter sido abusado por ele na infância e negou estar sob efeito de entorpecentes. Veja trechos do vídeo:
“Foi na hora lá, discutindo, discutindo, foi na hora que ele [disse] ‘vem, vem não sei o que’, foi na hora que eu peguei, também tava com um facão, foi na hora que a fúria subiu pra mente, o sangue subiu pra cabeça.
Me defendi. Tem até um corte aqui, mas já cicatrizou já. Só lesão.
Antigamente ele me abusava, quando ele era menor, me espancava, ele já tentou me aleijar para ele receber o negócio do salário mesmo. Mas nunca me esqueci disso, mas tipo assim eu já tinha até relevado. Mas teve uma hora que ele começou a me xingar, dizer que não valia nada, valia a merda do gato, essas coisas. Dizendo que eu era terrorista, bandido, vagabundo, me chamava dessas coisas e eu estudando, só estudando, tudo certinho, querendo crescer na vida"