- A rainha do bolo frito, Dona Solimar, morreu na terça-feira (16).
- Ela era uma cozinheira que trabalhava no Mercado do Mafuá em Teresina.
- Solimar nasceu em 15 de junho de 1961 e tinha mais de 40 anos de experiência na cozinha.
- A causa da morte não foi divulgada, mas ela enfrentava problemas de saúde há algum tempo.
O Piauí perdeu uma das figuras mais importantes e emblemáticas da cultura piauiense. A rainha do bolo frito, Dona Solimar, que alegrava quem passava para tomar café no Mercado do Mafuá, na zona Norte de Teresina, nos deixou. A morte da cozinheira foi divulgada nesta terça-feira (16).
Querida e atenciosa com todos, Solimar deixou um legado construído por décadas. Nascida em 15 de junho de 1961, Ancelismar Sousa Barros, ou Solimar, como todos a conheciam, contou ao Meionews.com um pouco sobre a sua trajetória ainda em 2024.
Era sinônimo de força e dedicação, e ajudou a construir com as próprias mãos a história da gastronomia local. Não tinha quem não gostasse e admirasse Solimar, a eterna rainha do bolo frito da capital piauiense.
Décadas de Trabalho
Quem via Solimar cheia de garra e dedicação nem imaginava que a empreendedora deixou Barras, sua terra natal, com apenas 17 anos em busca de um sonho. Ela chegou a Teresina na década de 80 e se formou como professora no Instituto de Educação, mas os contratempos da vida a levaram por um caminho diferente:
“A minha tia desistiu. Ela não pôde continuar, envelheceu. Eu trabalhava com a fruta e minha tia com comida. Então, ela saiu e eu fiquei na fruta. A minha irmã precisou casar e eu abri aqui a lanchonete com comida, só que não deu para mim. O pessoal me enganava para comprar fiado, não pagava. Eu botava um prato que ia mais do que aquilo. Não deu resultado porque eu não tirava o dinheiro de pagar o dono e sobrar para mim”, relatou a empreendedora.
Enfrentando as dificuldades iniciais com a venda de refeições, a cozinheira de mão cheia decidiu apostar em um novo rumo: o bolo frito. O que era para ser apenas uma forma de sustento se tornou um dos maiores patrimônios imateriais do Piauí. Por mais de 40 anos, Solimar vendeu o tão famoso bolo frito que encantava gente de todo canto.
Pilar Familiar e Mãe Dedicada
Com o fruto do seu trabalho, Solimar virou o pilar de sustentação da sua família. Ela ajudou a criar seus filhos e sobrinhas, e ofereceu suporte à sua irmã, inclusive durante os momentos mais difíceis com o filho especial, quando precisava sair de Barras duas vezes por semana para realizar o tratamento do menino.
“Morei com a minha irmã e, até hoje, praticamente moro com ela. Inventei de ter um filho solteira, minha irmã criou. Arrumei um casamento, tive outra filha, que já tem 23 anos. Eu continuo levando a vida. Eu me sinto empresária, uma empresária bem-sucedida, pois toda a minha família, de uma ponta a outra, tem um dedinho da minha ajuda”, acrescentou.
Problemas de Saúde
Na época em que Solimar concedeu a entrevista ao MeioNews, a cozinheira já relatava questões de saúde que a incomodavam:
"Eu sou diabética. Sou hipertensa, tenho problema de coração. Eu sou zangada. No momento da brincadeira, da diversão... minha diversão é trabalhar, eu me sinto muito bem. Mas sábado e domingo, por exemplo, aqui é muito lotado, e às vezes eu não tenho tempo nem de tomar café cedo. Aí tenho um desmaio por conta da diabetes, porque não posso ficar com fome. Como qualquer coisa e melhoro”, reforçou.
Solimar também enfrentava problemas graves na visão. Ela descobriu, durante um mutirão de catarata, que precisava fazer um transplante por complicações e desgaste na retina do olho.
“Hoje, eu não enxergo bem, mas de dois anos para cá já comprei dois óculos e estou no tratamento. Quando a retina melhorar é que o médico vai liberar para eu fazer o transplante de córnea”, detalhou a cozinheira.
Amor ao Próximo
Quem conhecia Solimar sabia que ela era uma mulher de mãos cheias e coração gigante. Sempre amorosa, a cozinheira acreditava que a beleza vinha de dentro. Seu lema de vida era ajudar quem mais necessitava:
“Uma pessoa em situação de rua que chega aqui, faz é sentar e comer igual a um cliente. Porque gosto de ajudar quem precisa”, finalizou.
Perda Irreparável
A perda de Solimar deixará saudades em quem adorava seu trabalho e já havia conversado com a empreendedora, nem que fosse por poucos minutos.
A despedida de Solimar aconteceu na Vila Operária no início da manhã desta terça-feira (16). O corpo da empreendedora foi levado em um breve cortejo até o Mercado do Mafuá. Solimar será sepultada em Barras, onde nasceu. Até o momento, a causa da morte não foi divulgada.