Junto à denúncia contra os 12 acusados de integrar um esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio de postos de combustíveis no Piauí, o Ministério Público do Estado solicitou à Justiça o fim do sigilo da Operação Carbono Oculto 86. A medida busca dar mais transparência ao caso e permitir o acesso público às informações da investigação.
Na denúncia, também pleiteamos a condenação dos envolvidos ao pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 74.200.000. Importante pontuar que o Ministério Público peticionou por mais de uma vez nos autos requerendo o levantamento integral do sigilo destes, por entender que que é importante a prestação de contas junto à sociedade. E tão logo esse sigilo seja deferido, retornaremos para prestar maiores esclarecimentos, disse a promotora de Justiça, Nayana da Paz.
O MPPI denunciou 12 pessoas por integrar um esquema de fraudes envolvendo as redes HD e Diamante, com atuação no Piauí e em outros estados. Os investigados são acusados de crimes como adulteração de combustíveis, fraude no abastecimento, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. O MeioNews teve acesso aos nomes de 10 deles. São eles:
- Haran Santhiago Girão Sampaio (apontado como dono da Rede HD)
- Danillo Coelho de Sousa (apontado como dono da Rede HD)
- Thamyres Leite Moura Sampaio (esposa do empresário Haran)
- Thayres Leite Moura Coelho (companheira de Danillo)
- Moisés Eduardo Soares Pereira
- Salatiel Soido de Araújo
- Denis Alexandre Jotesso Villani
- Andressa Castro Alves de Oliveira
- João Revoredo Mendes Cabral Filho
- Victor Linhares de Paiva (ex-vereador)
Um grupo originário, que é um grupo operacional aqui no estado do Piauí, que já tinha vinculações compostos de combustíveis, explicou o promotor de Justiça, William Luz.
⛽OPERAÇÃO CARBONO OCULTO 86
A Operação Carbono Oculto 86 foi deflagrada em 5 de novembro de 2025. O ponto de partida da investigação foi a venda da Rede de Postos HD, em dezembro de 2023. A negociação chamou atenção porque a empresa compradora, a Pima Energia, foi criada poucos dias antes.
Essa operação [...] é decorrência de uma investigação do GAECO de São Paulo intitulada também Carbono Oculto. A investigação apontou que o grupo integra o braço financeiro e operacional da organização criminosa com atuação no estado de São Paulo, disse Lenara Porto, Coordenadora do MPPI.
Como o esquema funcionava?
As apurações também apontam o uso de “laranjas”, mistura de patrimônios e emissão de notas fiscais sem a circulação real de combustíveis. 49 postos foram fechaodos no Piauí, sendo 16 em Teresina. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, o grupo usava essas estruturas para lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e ocultar patrimônio.
À época da operação, foram apreendidos um Porsche avaliado em R$ 550 mil e um avião modelo Cessna Aircraft 210M, pertencente ao empresário Haran Santhiago Girão Sampaio.
Essas fraudes foram constatadas pelo IMEPI, pelo PROCON do Ministério Público, e essas fraudes podem ser subidividas em dois grupos: as fraudes de natureza qualitativa e quantitativa. Constatou-se rompimentos dos lacres e manipulação do sistema de medição, acrescentou Hérson Galvão, promotor de Justiça.
Acusados não foram presos
A Justiça do Piauí deve receber a denúncia e transformar os acusados em réus. Eles não chegaram a ser presos. Segundo a polícia, o esquema movimentou mais de R$ 52 bilhões e construía uma industria para adulteração de combustíveis.