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MP pede fim do sigilo em investigação sobre lavagem do PCC em postos no Piauí

A Justiça do Piauí deve receber a denúncia e transformar os acusados em réus. Eles não chegaram a ser presos.

Postos foram interditados no Piauí | Foto: Reprodução / Saymon Lima
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Junto à denúncia contra os 12 acusados de integrar um esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio de postos de combustíveis no Piauí, o Ministério Público do Estado solicitou à Justiça o fim do sigilo da Operação Carbono Oculto 86. A medida busca dar mais transparência ao caso e permitir o acesso público às informações da investigação.

Na denúncia, também pleiteamos a condenação dos envolvidos ao pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 74.200.000. Importante pontuar que o Ministério Público peticionou por mais de uma vez nos autos requerendo o levantamento integral do sigilo destes, por entender que que é importante a prestação de contas junto à sociedade. E tão logo esse sigilo seja deferido, retornaremos para prestar maiores esclarecimentos, disse a promotora de Justiça, Nayana da Paz.

MPPI denuncia acusados da Carbono Oculto | FOTO: Saymon Lima

O MPPI denunciou 12 pessoas por integrar um esquema de fraudes envolvendo as redes HD e Diamante, com atuação no Piauí e em outros estados. Os investigados são acusados de crimes como adulteração de combustíveis, fraude no abastecimento, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. O MeioNews teve acesso aos nomes de 10 deles. São eles:

  1. Haran Santhiago Girão Sampaio (apontado como dono da Rede HD)
  2. Danillo Coelho de Sousa (apontado como dono da Rede HD)
  3. Thamyres Leite Moura Sampaio (esposa do empresário Haran)
  4. Thayres Leite Moura Coelho (companheira de Danillo)
  5. Moisés Eduardo Soares Pereira
  6. Salatiel Soido de Araújo
  7. Denis Alexandre Jotesso Villani
  8. Andressa Castro Alves de Oliveira
  9. João Revoredo Mendes Cabral Filho
  10. Victor Linhares de Paiva (ex-vereador)

Um grupo originário, que é um grupo operacional aqui no estado do Piauí, que já tinha vinculações compostos de combustíveis, explicou o promotor de Justiça, William Luz.

Donos dos postos foram denunciados no Piauí | FOTO: SSP-PI

⛽OPERAÇÃO CARBONO OCULTO 86

A Operação Carbono Oculto 86 foi deflagrada em 5 de novembro de 2025. O ponto de partida da investigação foi a venda da Rede de Postos HD, em dezembro de 2023. A negociação chamou atenção porque a empresa compradora, a Pima Energia, foi criada poucos dias antes.

Essa operação [...] é decorrência de uma investigação do GAECO de São Paulo intitulada também Carbono Oculto. A investigação apontou que o grupo integra o braço financeiro e operacional da organização criminosa com atuação no estado de São Paulo, disse Lenara Porto, Coordenadora do MPPI.

Local alvos da Operação Carbono Oculto | FOTO: SSP-PI

Como o esquema funcionava?

As apurações também apontam o uso de “laranjas”, mistura de patrimônios e emissão de notas fiscais sem a circulação real de combustíveis. 49 postos foram fechaodos no Piauí, sendo 16 em Teresina. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, o grupo usava essas estruturas para lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e ocultar patrimônio. 

À época da operação, foram apreendidos um Porsche avaliado em R$ 550 mil e um avião modelo Cessna Aircraft 210M, pertencente ao empresário Haran Santhiago Girão Sampaio.

Essas fraudes foram constatadas pelo IMEPI, pelo PROCON do Ministério Público, e essas fraudes podem ser subidividas em dois grupos: as fraudes de natureza qualitativa e quantitativa. Constatou-se rompimentos dos lacres e manipulação do sistema de medição, acrescentou Hérson Galvão, promotor de Justiça.

Acusados não foram presos

A Justiça do Piauí deve receber a denúncia e transformar os acusados em réus. Eles não chegaram a ser presos. Segundo a polícia, o esquema movimentou mais de R$ 52 bilhões e construía uma industria para adulteração de combustíveis.

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