Sebastião da Cruz de Oliveira aconselhava o filho, Victor Gomes de Carvalho, a abandonar o uso de entorpecentes antes de ser assassinado a facadas e ter o rosto desfigurado com um golpe de pedra, em Teresina. Em entrevista ao MeioNews, Aline Gomes, irmã da vítima, afirmou que o suspeito não havia demonstrado violência contra o pai.
A vítima foi descrita pela irmã como um homem “muito maravilhoso, brincalhão, de grande coração, honrado e digno”. Segundo ela, a família sabia que o suspeito era usuário de drogas e enfrentava problemas relacionados a elas, mas afirmou que não tinha conhecimento de agressões e que pai e filho se davam bem.
“A gente nunca nem é soube que o filho dele algum dia empurrou ele, que o filho dele espancou ele, isso nunca existiu. Sempre eles se davam bem. Meu irmão tinha o maior cuidado com ele, o maior carinho. E ele [Sebastião] sempre assim reclamava com ele [Victor], não era brigando, era conversando para ele deixar essas coisas tipo deixar de usar drogas, de ficar no meio da rua, pela própria vida dele. Porque sabemos que a droga destrói tudo”, afirmou.
Ela acredita que o crime tenha ocorrido em decorrência do uso de drogas, pois o sobrinho "jamais faria isso no sentido dele normal". Aline relatou ainda que, antes do ocorrido, Victor não representava perigo para a família ou para outras pessoas e que ele vendia seus próprios pertences para sustentar o vício.
“E ele nunca representou assim perigo para gente, mas a partir do momento que ele matou o próprio pai, para família ele se tornou um assassino perigoso, mas antes não era.[...] Ele usava as porcaria dele com as coisas dele. Vendia as coisas dele e o dinheiro dele. Por isso que a gente nunca imaginou que ele poderia fazer uma barbaridade dessa tão cruel de maneira mais dolorida que você possa imaginar para a família”, disse a familiar.
DIA DO CRIME
No dia do crime, ela conta que recebeu mensagens do celular do irmão por volta das 17h. “Veio umas mensagens do celular dele descontroladas para o meu. Não sei se já foi na hora da briga, porque veio um vídeo e meu irmão nunca mandava vídeo para mim. Veio um monte de carinha, um monte de carinha sem sentido com bandeirinha. Acho que já foi na hora da confusão que talvez ele estava com o celular ou ele não sei, tentando pedir ajuda”, narrou.
Cerca de meia hora depois, a ex-mulher de Sebastião entrou em contato pedindo para acionar a polícia. Por fim, Aline informou que a família está profundamente abalada e sofrendo com a perda.
“Eu creio que todas pessoas de bom coração que moram aqui no Piauí, no mundo todo, tá abalada diante de uma situação dessa. Porque os filho dele assim, tinha tudo. Ele, Victor, tinha tudo para ser um grande homem pela criação. Tinha tudo para ser um grande homem, ainda começou a fazer universidade online, mas aí devido as droga, acho que não continuou. Interrompeu. É muito triste para a gente, muito triste para a família. [...] Ontem mesmo eu tive uma crise muito grande de choro à noite”, relatou.
O CASO
Sebastião da Cruz de Oliveira foi morto na casa da família, na Santa Bárbara, zona Leste de Teresina, no dia 26 de janeiro. O filho foi preso na madrugada desta quinta-feira (29), apontado como o principal suspeito do crime. Durante depoimento, ele confessou ter assassinado o próprio pai.
"Ele confessa que o primeiro golpe foi ele que desferiu. Segundo os relatos dele, esse primeiro golpe foi dele. [...] Segundo ele, após a vítima cair, ele se ajoelha e desfere mais golpes, vários golpes, pelo tórax e principalmente na face. Ele confessa que furar os olhos foi intencionalmente. E após a faca quebrar, nesse momento que a faca quebra, que ele para de golpear com a faca, nesse momento, ele pega uma pedra pesada que estava na cozinha e joga essa pedra contra a cabeça do pai. Em seguida, ele ver a cabeça esmagada do pai e começa a vomitar. Em seguida, ele alega que vai ao banheiro, toma banho, pega a moto do pai e foge", afirmou o delegado Danúbio Dias, do DHPP.
Momento da prisão!
Victor é usuário de drogas, mas na ocasião estava consciente, segundo o DHPP. As investigações apontam que ele matou o pai após ter dinheiro negado para comprar entorpecentes.