A Polícia Civil do Amazonas teve acesso a prints de conversas encontrados no celular de Lucila Meireles Costa que mostram como suspeitos de integrar o “núcleo político” ligado ao Comando Vermelho obtinham informações sigilosas para facilitar ações do grupo por meio de um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas. A mulher foi presa nesta sexta-feira (20), em Teresina.
De acordo com a polícia, os prints incluem referências a transferências via Pix e consultas sobre a expedição de mandados de prisão. Em um dos trechos, Lucila envia um comprovante de pagamento para Izaldir Moreno Barros, servidor do tribunal.
INVESTIGAÇÃO
Nesta sexta-feira (20), as forças policiais cumpriram 14 mandados de prisão, sendo oito deles no Amazonas. Entre os presos, estão a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus e um servidor do Tribunal de Justiça do estado. Os alvos faziam parte de um grupo que atuava no Amazonas, Piauí, Minas Gerais, Ceará, Pará e Maranhão. Os presos são:
- Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas. A polícia aponta que ele recebia pagamentos para fornecer informações sigilosas de processos em segredo de Justiça, o que teria beneficiado o grupo criminoso.
- Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas. Relatórios de inteligência financeira indicam transações milionárias ligadas ao esquema;
- Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil que integra a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida. A investigação diz que ela teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão em favor da facção por meio de empresas de fachada;
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior – investigado por participação no esquema financeiro que movimentava valores suspeitos para a organização criminosa;
- Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar de vereador, apontado pela polícia como parte da rede de influência do grupo;
- Osimar Vieira Nascimento – policial militar preso sob suspeita de envolvimento com as atividades do núcleo político investigado;
- Bruno Renato Gatinho Araújo – preso no Amazonas e incluído na lista de investigados pela operação.
- Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara por suposta participação no esquema.
COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA?
Segundo a polícia, o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 70 milhões e atuava em parceria com traficantes do Amazonas e de outros estados.
As investigações indicam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada, principalmente nos setores de transporte e logística. Essas empresas seriam usadas para comprar drogas na Colômbia e levá-las até Manaus. A partir da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outros estados do país.
Os investigados podem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.
Ainda de acordo com a polícia, Lucila se apresentava como advogada, apesar de não ter registro na Ordem dos Advogados do Brasil, e atuava como lobista do grupo. Mensagens analisadas apontam que ela e outra suspeita teriam pago propina a um servidor do Judiciário para obter e repassar informações de processos que tramitavam em segredo de Justiça.