SEÇÕES

Perícia encontra marcas em pescoço de soldado da PM encontrada morta com tiro na cabeça

Novos exames buscam esclarecer se houve compressão no pescoço antes do tiro que matou a policial militar encontrada baleada em apartamento em São Paulo

Gisele Alves Santana, soldado da PM | Foto: Reprodução
Siga-nos no

Peritos identificaram marcas no pescoço e em outras partes do corpo da policial militar Gisele Alves Santana após a exumação do corpo da soldado. A descoberta abriu uma nova linha de investigação para esclarecer as circunstâncias da morte da agente, encontrada baleada dentro do apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, em São Paulo.

Diante das lesões observadas na região cervical, os investigadores solicitaram exames complementares para verificar a possibilidade de compressão no pescoço antes do disparo que provocou a morte da policial.

No último sábado (7), um dia após a exumação, médicos legistas do Instituto Médico‑Legal (IML) Central realizaram novos procedimentos periciais, incluindo exames de imagem, como tomografia, para aprofundar a análise.

Segundo os investigadores, o objetivo é esclarecer se houve pressão na região do pescoço antes do tiro.

Gisele Alves Santana, soldado da PM, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto | Foto: Reprodução 

Outro elemento que chamou a atenção da equipe foi relatado por um socorrista que participou do atendimento. Em depoimento, ele afirmou ter observado uma marca arroxeada na região da mandíbula da policial.

De acordo com o profissional, a lesão poderia estar relacionada ao disparo de arma de fogo. No entanto, a origem da marca ainda depende da conclusão dos laudos periciais, que seguem em elaboração.

Dúvidas sobre a dinâmica da morte

Imagens de câmeras de segurança e áudios gravados no local trouxeram novos elementos para a investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar. Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava com o marido, em 18 de fevereiro de 2026.

Os registros mostram parte da movimentação no corredor do prédio naquela manhã.

Às 8h02, o tenente-coronel Geraldo Neto aparece falando ao telefone, sem camisa. Três minutos depois, faz outra ligação. Às 8h13, três bombeiros chegam ao local para prestar socorro.

Um dos socorristas, com 15 anos de experiência, afirmou em depoimento que considerou a cena incomum e decidiu fotografar o ambiente. Segundo ele, a arma encontrada na mão de Gisele chamou atenção.

De acordo com o relato, o revólver estava posicionado de uma forma que ele nunca havia observado em casos de suicídio. Além disso, o sangue já estava coagulado e o cartucho da bala não foi encontrado no apartamento.

O tenente-coronel afirmou que estava no banho no momento do disparo. Entretanto, segundo os relatos, ele estava seco e não havia água espalhada pelo chão do imóvel.

Gisele Alves Santana, soldado da PM | Foto: Reprodução

Possível alteração da cena

Áudios registrados durante o atendimento mostram o momento em que o oficial comenta sobre a relação do casal e dificuldades financeiras.

“A gente está casado há dois anos. De seis meses para cá, a gente começou a ter muita crise”, disse.

Ele relatou que os dois estavam sozinhos desde a noite anterior e que tiveram uma discussão.

Segundo o próprio tenente-coronel, a discussão continuou na manhã do ocorrido.

“Eu entrei no banho. Fazia um minuto que eu estava debaixo do chuveiro quando escutei o barulho. Achei que fosse ela batendo a porta. Quando abri o box, ela estava caída no chão, no sangue. Ela deu um tiro na cabeça”, afirmou.

Os socorristas conseguiram reanimar Gisele ainda dentro do apartamento. Às 8h55, a policial foi retirada do prédio em uma maca e levada ao hospital ainda com vida.

Imagens mostram o tenente-coronel sentado no corredor naquele momento.

Entre as ligações feitas por Geraldo naquela manhã, uma chamou atenção da família da policial: o contato com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O magistrado chegou ao prédio às 9h07 e subiu até o apartamento acompanhado do oficial.

Cerca de 11 minutos depois, o tenente-coronel voltou a aparecer no corredor com outra roupa. Testemunhas afirmaram que ele teria tomado banho nesse intervalo, mesmo após orientação para não alterar a cena.

Militares que participaram da ocorrência também relataram que ele retornou com forte cheiro de produto químico.

Perícia aponta falhas na preservação do local

Laudos da Polícia Técnico-Científica indicam que o local do disparo não foi preservado adequadamente, o que dificultou a análise pericial e impediu os especialistas de determinar com precisão a dinâmica do tiro e quem teria efetuado o disparo.

Um vídeo gravado após a saída dos socorristas mostra o apartamento com móveis fora do lugar, panos e produtos de limpeza espalhados pelo chão.

“O apartamento estava uma verdadeira bagunça. O local não foi preservado”, afirmou o advogado da família.

Outro ponto investigado surgiu no depoimento de uma vizinha. Ela afirmou ter acordado às 7h28 após ouvir um estampido forte. No entanto, a primeira ligação feita pelo tenente-coronel pedindo socorro ocorreu apenas às 7h57, cerca de 29 minutos depois.

Os advogados também disseram que o oficial tem colaborado com as autoridades desde o início e permanece à disposição para esclarecimentos.

Já a defesa do desembargador informou que ele foi chamado ao local na condição de amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia.

Tópicos
Carregue mais
Veja Também