- Policia Federal investiga causa de incêndio que destruiu prédio de pesquisa da UFPE na Cidade Universitária.
- Incêndio começou às 19h30 e foi controlado às 5h, com retorno de equipe para apagar focos remanescentes.
- Prédio abrigava laboratórios de fármacos, informática e genética, com perda de equipamentos e projetos científicos.
- Reitoria estima prejuízo de R$ 100 milhões e planeja reunião para avaliar danos e apoiar equipes afetadas.
- PF instaurará inquérito para apurar causas do incêndio e verificar possibilidade de ação criminosa.
A Polícia Federal (PF) vai investigar as causas do incêndio que destruiu um prédio de pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na noite de quarta-feira (7), na Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife. A reitoria estima um prejuízo de R$ 100 milhões, com a perda de equipamentos, amostras e projetos científicos. O incêndio não deixou feridos, mas provocou comoção entre professores e pesquisadores. A PF não descarta a hipótese de ação criminosa e instaurará um inquérito para esclarecer o caso.
Incêndio destruiu laboratórios de pesquisa
O fogo começou por volta das 19h30 de quarta-feira (7) e se espalhou rapidamente, devido aos produtos armazenados no prédio. O Corpo de Bombeiros enviou cinco viaturas para combater as chamas. O trabalho foi concluído por volta das 5h desta quinta-feira (8), mas uma nova equipe precisou retornar ao local pela manhã para apagar focos remanescentes.
A área mais atingida foi o primeiro andar do edifício, que abrigava laboratórios de fármacos, informática e genética, além do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica. O prédio, que anteriormente abrigava a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), foi consumido pelas chamas.
Professores lamentam perda de pesquisas
A destruição dos laboratórios provocou a perda de equipamentos e materiais utilizados em pesquisas científicas, projetos de iniciação científica e estudos de mestrado e doutorado.
A professora Melissa Leandro Celestino, do curso de Educação Física da UFPE, relatou que o incêndio destruiu equipamentos utilizados em pesquisas sobre movimento corporal, desempenho humano, comportamento motor e biomecânica. Os estudos também envolviam temas como esporte, saúde, atividade física, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e autismo.
“São muitos equipamentos, muitos projetos de iniciação científica, mestrado e doutorado. Então a gente tinha ali câmeras de análise tridimensional, de movimento corporal, mais voltada para a performance humana, comportamento motor e biomecânica, além de esporte, saúde, atividade física, TDAH [Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade], autismo e se perdeu tudo”, disse a professora.
Segundo a universidade, o incêndio também comprometeu amostras acumuladas ao longo de aproximadamente 20 anos de pesquisas.
Apesar das perdas, Melissa demonstrou esperança na recuperação das atividades científicas.
“Mas vai dar tudo certo, a gente vai se reerguer”, afirmou.
Ex-aluno da UFPE chora diante do prédio
O professor aposentado da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e ex-aluno da UFPE Marcos Figueiredo se emocionou ao observar o edifício destruído pelo fogo. Ele destacou que os danos vão além do prejuízo financeiro, atingindo também a produção científica e a sociedade pernambucana.
“A gente não consegue mensurar economicamente, mas é um prejuízo enorme para a sociedade, para o povo pernambucano e para a comunidade acadêmica. O papel da universidade é produzir para a sociedade, e, com esse incêndio, todo esse conhecimento é perdido e não se recupera mais ou vai se recuperar a muito longo prazo. Nós da comunidade acadêmica ficamos enlutados”, disse Marcos.
Reitoria vai avaliar os danos
O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, informou que vai se reunir com os coordenadores dos laboratórios que funcionavam no primeiro andar para avaliar a extensão dos danos e discutir medidas de apoio às equipes afetadas.
“Precisamos sentar com todos os coordenadores dos laboratórios que funcionavam no primeiro andar para fazer uma avaliação adequada dos prejuízos materiais e de outra natureza, para ver como podemos apoiá-los”, afirmou.
O reitor também destacou que o edifício é antigo, assim como parte das 370 edificações que compõem a estrutura física da universidade. A Superintendência de Infraestrutura e a Superintendência de Projetos e Obras da instituição também atuarão na avaliação dos danos.
PF fará perícia no local
Em nota, a Polícia Federal informou que manteve contato com o reitor da UFPE e com o comandante do Corpo de Bombeiros. Uma equipe de peritos federais foi enviada à universidade para realizar exames no local.
A corporação também comunicou que um inquérito policial será instaurado para apurar as circunstâncias do incêndio e suas causas prováveis. A investigação deverá esclarecer como o fogo começou e se houve ação criminosa.
UFPE registra três incêndios em uma semana
O incêndio de quarta-feira foi o terceiro registrado na UFPE em uma semana.
Em 30 de setembro, chamas atingiram um laboratório do Departamento de Física. Ninguém ficou ferido. Na ocasião, a suspeita era de que o fogo tivesse começado em uma câmara de alta temperatura utilizada para aquecer substâncias.
Já no domingo (4), outro incêndio foi registrado no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, localizado no Centro de Biociências. Também não houve vítimas.
As causas dos incêndios serão apuradas pelas autoridades responsáveis.