Inspirada no título de uma música de Geraldo Vandré, a União da Ilha do Governador levou para a avenida um desfile marcado por críticas ao regime militar. Naquele ano, as escolas de samba do Rio de Janeiro adotaram um Carnaval temático, com enredos voltados aos 500 anos da história do Brasil.
O desfile destacou símbolos da resistência à ditadura, como o jornal O Pasquim, e buscou evidenciar o papel da arte como ferramenta fundamental na defesa da democracia. A proposta era mostrar como artistas e manifestações culturais reagiram às tentativas de repressão.
No texto de apresentação do enredo, o carnavalesco Mário Borriello explicou essa abordagem ao afirmar que ninguém escapava da perseguição, desde figuras públicas até cidadãos comuns. Segundo ele, muitos artistas responderam ao autoritarismo por meio de suas obras: alguns recorreram ao humor e à ironia, como no movimento tropicalista, enquanto outros adotaram uma postura mais direta ao denunciar as ilegalidades impostas pela ditadura.