Portela, 2000
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No mesmo Carnaval temático em que a União da Ilha se apresentou, a Portela — uma das mais tradicionais escolas do Rio de Janeiro — escolheu narrar a trajetória politica de Getulio Vargas. O enredo percorreu os quase vinte anos em que Vargas esteve no poder, divididos em tres fases distintas de sua atuação como presidente do Brasil.
O samba classificava o período varguista como uma “época de ouro” e afirmava que o Estado Novo teria sido recebido com apoio popular, apesar das controvérsias históricas em torno da ditadura implantada naquele momento. Um dos trechos da letra dizia: “Aclamado pelo povo, o ‘Estado Novo’/ Getúlio Vargas anunciou/ A despeito da censura/ Não existe mal sem cura/ Viva o trabalhador”.
Na justificativa do enredo, o carnavalesco da Portela, José Felix, destacou a complexidade da figura de Vargas, descrito como alguém “amado, odiado e reconhecido como grande estadista”. Segundo o texto, a proposta não era engrandecer nem diminuir sua imagem, mas apresentar Getúlio Vargas em seu contexto histórico, abordando sua trajetória politica, bem como suas iniciativas sociais e econômicas. O material também convidava a reflexão sobre esse legado as vésperas do novo seculo, em um momento em que o pais celebrava os 500 anos do Brasil.