- Gladson Cameli condenado a 25 anos e 9 meses de prisão pelo STJ.
- Ex-governador do Acre foi julgado por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Pena é resultado de esquema que gerou prejuízo de R$ 11,7 milhões aos cofres públicos do estado.
- Defesa pode recorrer da decisão ao Supremo Tribunal Federal.
O ex-governador do Acre, Gladson Cameli (PP), foi condenado a 25 anos e 9 meses de prisão, em regime fechado. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concluiu que o ex-governador deve responder pelos crimes de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e fraudes em licitações.
Gladson Cameli é apontado como líder de um suposto esquema que gerou um prejuízo de R$ 11,7 milhões aos cofres públicos do estado. A defesa ainda pode recorrer da decisão, por isso a pena ainda não será cumprida.
Cameli ficou por oito anos como governador do Acre, em dois mandatos, e renunciou ao cargo em abril deste ano, já que pretendia se candidatar ao Senado.
Esquema de fraude
A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) relata que Cameli participou de um esquema de fraude na contratação da construtora Murano Construções, que seria ligada ao irmão dele, sob a justificativa de realizar diversas obras no Acre.
O contrato foi celebrado em 2019 junto à Secretaria de Infraestrutura e do Desenvolvimento Urbano do Acre.
O objetivo inicial do contrato era a manutenção de prédios antigos, mas isso foi alterado, e a empresa passou a assumir também grandes obras viárias. No dia seguinte à assinatura do documento, a construtora firmou parceria com uma empresa ligada ao irmão do ex-governador.
Superfaturamento e desvios
O MPF também explica na denúncia que a Murano teria servido como intermediária para desviar recursos financeiros em favor do ex-governador e de sua família, a partir de um aumento desproporcional no valor dos serviços.
O montante pago à construtora, segundo o MPF, superou em mais de 50% o valor contratado. O dinheiro desviado, de acordo com a denúncia, foi integralmente revertido em benefício dos integrantes da organização criminosa e aplicado na compra de imóveis e veículos.
Outras empresas da família também teriam sido usadas para dificultar o rastreamento do dinheiro desviado. O grupo agia de forma articulada, com auxílio, inclusive, de agentes públicos indicados pelo ex-governador.
Com a condenação, o ex-governador também terá que pagar multa de R$ 11,7 milhões em indenização pelos crimes praticados. O julgamento do caso começou no final do ano passado, mas acabou suspenso por pedido de vista do ministro João Otávio de Noronha.
Em publicação nas redes sociais, o ex-governador se manifestou sobre a condenação pelo STJ.
“Recebi com serenidade e absoluto respeito o resultado da votação realizada na tarde desta quarta-feira, dia 6, no Superior Tribunal de Justiça. Compreendo o rito jurídico da Corte e é com base nesse respeito que, no exercício democrático do direito, recorrerei da decisão à instância superior — o Supremo Tribunal Federal —, prerrogativa que me é assegurada pela legislação brasileira em vigor”, informou.