A Justiça da Itália retoma nesta quinta-feira (12) o julgamento que decidirá sobre a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli. O caso é analisado pela Corte de Apelação de Roma. A ex-parlamentar está detida desde julho de 2025 na penitenciária feminina de Rebibbia, na capital italiana.
A audiência será retomada às 14h (horário local), 10h em Brasília. Ainda devem se manifestar um dos advogados de defesa de Zambelli e o representante designado pela Advocacia-Geral da União (AGU) para acompanhar o processo na Itália, Alessandro Gentiloni.
Defesa prepara recurso
Na quarta-feira (11), a defesa já sinalizou que, em caso de decisão favorável à extradição, apresentará recurso à Corte Suprema de Cassação (Corte Suprema di Cassazione), instância máxima do Judiciário italiano.
Na última terça-feira (10), a mesma Corte rejeitou o pedido da defesa para substituir os juízes responsáveis pela análise do processo. Os advogados alegaram “evidências de parcialidade” dos magistrados.
O julgamento do pedido de extradição já foi adiado quatro vezes. Segundo apuração, advogados da ex-deputada avaliam como remotas as chances de negativa da extradição, mas afirmam que irão recorrer caso a decisão determine o retorno dela ao Brasil.
Condenações no Brasil
Carla Zambelli está presa na Itália após ser condenada em dois processos no Brasil, ambos com trânsito em julgado — quando não há mais possibilidade de recurso.
As condenações são:
10 anos e 8 meses de prisão por ser considerada autora intelectual da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ);
5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, em episódio ocorrido às vésperas das eleições de 2022, quando perseguiu um homem na rua e apontou uma arma contra ele.
Pedido de extradição
A análise do pedido de extradição atende a uma solicitação formal do governo brasileiro, feita após a condenação relacionada à invasão do sistema do CNJ. Desde julho de 2025, Zambelli permanece presa por determinação da Justiça italiana, também a partir de pedido apresentado pelas autoridades brasileiras.
Fuga para a Itália e prisão
Após a condenação pelo caso do CNJ, Zambelli deixou o Brasil e se estabeleceu na Itália. Diante da saída do país, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a prisão preventiva da então parlamentar.
O pedido foi acolhido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou ainda a inclusão do nome de Zambelli na lista vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar e prender foragidos internacionais.
Em 29 de julho de 2025, ela foi presa em um apartamento em Roma. A Corte de Apelação de Roma justificou a decisão ao apontar “grave risco de fuga” caso permanecesse em liberdade.
Situação política
Em dezembro de 2025, o STF anulou a votação da Câmara dos Deputados que havia rejeitado o pedido de cassação e mantido o mandato de Zambelli. Posteriormente, a então deputada renunciou ao cargo.
A Justiça italiana segue analisando o pedido formal de extradição apresentado pelo governo brasileiro.