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Lula libera R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA

Pacote amplia programa Brasil Soberano e atende exportadoras impactadas pela tarifa de 25% imposta pelo governo Trump

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  • Presidente Lula anuncia liberação de R$ 18,5 bilhões para empresas afetadas por tarifas norte-americanas e conflitos no Oriente Médio.
  • Programa Brasil Soberano 3 amplia recursos para setores como indústria, agropecuária e mineração, com critérios de manutenção de empregos.
  • Governo brasileiro mantém negociações com EUA, apesar de postura mais rígida dos norte-americanos após maio, com exigências inegociáveis.
  • Ministros reforçam compromisso com diálogo diplomático e evitam retaliação comercial, enquanto setores produtivos defendem negociação prioritária.
  • Lei aprovada libera R$ 15 bilhões para novas linhas de crédito, ampliando apoio a exportadores e empresas impactadas por tarifas e instabilidades.
Coletiva de imprensa do "Brasil Soberano III" | Foto: Reprodução
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quarta-feira (22), a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, além de companhias impactadas pela guerra no Oriente Médio. A nova etapa do programa foi batizada pelo governo de "Brasil Soberano 3".

Além do anúncio, Lula sancionou a lei que libera R$ 15 bilhões para novas linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, ampliando o programa criado em 2025 para reduzir os impactos do primeiro pacote tarifário imposto pelos Estados Unidos. A legislação teve origem em uma medida provisória editada em março deste ano.

Crédito para empresas afetadas

Os recursos serão destinados a empresas exportadoras de setores como indústria, agropecuária, mineração, florestas plantadas, pesca e aquicultura.

Para aderir ao programa, as empresas precisarão cumprir critérios estabelecidos pelo governo, entre eles a manutenção de parte dos empregos.

Segundo o governo federal, novas medidas de apoio continuam em estudo e poderão ser adotadas conforme a evolução das dificuldades enfrentadas pelos setores atingidos pelas tarifas.

Programa é ampliado

A sanção da lei ocorre um dia após o início de uma rodada de reuniões entre o governo federal e representantes dos segmentos mais afetados pelo tarifaço norte-americano.

Os encontros têm como objetivo ouvir as demandas do setor produtivo e discutir alternativas para reduzir os impactos das novas tarifas sobre as exportações brasileiras.

Negociações com os Estados Unidos

De acordo com integrantes do governo envolvidos nas negociações, houve avanços nas conversas iniciadas no ano passado, após o encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Malásia.

No entanto, segundo integrantes da diplomacia brasileira, a partir do fim de maio os representantes da Casa Branca passaram a adotar uma postura considerada mais rígida, apresentando exigências classificadas como inegociáveis pelo governo brasileiro, entre elas mudanças envolvendo o Pix e a legislação sobre minerais críticos.

O governo brasileiro também afirma que dados apresentados sobre o desmatamento foram desconsiderados pelos negociadores americanos, sem contrapropostas.

Dias antes da entrada em vigor da tarifa adicional, negociadores brasileiros apresentaram uma proposta para responder aos seis pontos levantados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), mas, segundo o governo, não houve resposta oficial.

Mesmo diante da avaliação de que um adiamento da medida seria improvável, auxiliares de Lula mantiveram contatos com representantes do governo Trump em busca de uma última rodada de negociações. Segundo ministros, a orientação do presidente foi manter o diálogo e evitar que questões ideológicas interferissem nas tratativas.

Na avaliação do governo brasileiro, porém, a decisão americana teve motivação política.

Governo mantém aposta na via diplomática

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo brasileiro não trabalha com a perspectiva de retaliação comercial aos Estados Unidos.

Segundo ele, a eventual utilização da Lei da Reciprocidade Econômica não deve ser interpretada como uma resposta automática às tarifas americanas e só será considerada no momento considerado adequado.

Representantes dos setores produtivos também defendem que o Brasil priorize a negociação diplomática, argumentando que uma retaliação poderia ampliar os prejuízos para empresas e consumidores.

Como funciona o Brasil Soberano

Criado por meio do BNDES, o programa Brasil Soberano oferece linhas de crédito para empresas exportadoras em momentos de instabilidade no comércio internacional.

Inicialmente lançado para reduzir os impactos do primeiro tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o programa agora amplia o alcance para atender exportadores, fornecedores e empresas afetadas tanto pelas novas tarifas americanas quanto pela instabilidade no Golfo Pérsico e em setores considerados estratégicos para as exportações brasileiras.

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