- Ministros do STF pressionam Fachin após decisão de Flávio Dino que reverte afastamento de dois diretores da PF.
- Dino acusa Mendonça de ultrapassar atribuições e agir sem consultar o plenário sobre relatórios da PF.
- Mendonça classifica decisão de Dino como ilegal e cobra ações de Fachin em conversa telefônica.
- Fachin cancela sessão plenária do STF em meio à crise interna e pressão por medidas claras.
- Ministros avaliam que Fachin precisa assumir liderança para evitar agravamento do conflito na Corte.
A sequência de decisões liminares envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aumentou a pressão sobre o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, para que adote medidas diante da crise interna.
Ministros procuraram Fachin por telefone após a decisão de Flávio Dino que reverteu o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada. Os dois haviam sido afastados por determinação do ministro André Mendonça.
Decisão de Dino reverte afastamentos
Na decisão que determinou o retorno dos dois diretores aos cargos, Dino afirmou que Mendonça teria avançado sobre atribuições do plenário e não aguardado uma manifestação de Fachin ou do colegiado sobre relatórios produzidos pela Polícia Federal.
Um dos documentos citados apontou uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O outro, de caráter de inteligência e sem valor probatório, questionou a condução dos inquéritos relacionados aos casos do INSS e Master por Mendonça.
Mendonça contesta decisão
Segundo apuração da TV Globo, o próprio André Mendonça telefonou para Fachin após a decisão de Dino. Na conversa, teria classificado a decisão como “ilegal” e cobrado providências do presidente do STF.
A reação ocorre em meio à disputa entre diferentes posições dentro da Corte sobre a condução dos processos e sobre as atribuições dos ministros em decisões individuais.
Nos bastidores, ministros ouvidos reservadamente avaliam que Fachin precisa assumir o comando da crise e adotar medidas para evitar o agravamento do conflito entre os grupos ligados a Moraes e Mendonça.
Fachin é pressionado por ministros
Além de Mendonça, Fachin também deveria receber Alexandre de Moraes nesta quarta-feira (9). Moraes é vice-presidente do STF e está entre os ministros envolvidos nos desdobramentos da chamada crise Master.
A avaliação de magistrados ouvidos reservadamente é de que as disputas recentes acabaram reduzindo o espaço de atuação de Fachin na condução da crise e aumentaram a pressão para que o presidente da Corte estabeleça os próximos passos.
Sessão do STF é cancelada
Em meio ao cenário de tensão, Fachin cancelou a sessão plenária do STF que estava prevista para esta quarta-feira (9).
O cancelamento ocorreu no mesmo dia em que a decisão de Dino recolocou os diretores da Polícia Federal nos cargos e ampliou a discussão entre os ministros sobre os limites das decisões individuais e a atuação do plenário.