O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) negou neste domingo (25) que houve falta de organização no ato promovido por ele em Brasília, após um raio atingir manifestantes nas proximidades da Praça do Cruzeiro, local onde seria encerrada uma caminhada de seis dias liderada pelo parlamentar. Segundo o Corpo de Bombeiros, 72 pessoas foram atendidas no local, e 30 precisaram ser levadas a hospitais da capital.
De acordo com os bombeiros, 42 vítimas estavam estáveis, conscientes e orientadas, enquanto oito apresentavam condições instáveis. Os feridos foram encaminhados ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e ao Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). Entre os atingidos, houve registros de queimaduras na mão e na região do tórax, embora o estado de saúde individual ainda não tenha sido detalhado.
Veja o momento em que o raio atinge os manifestantes:
“Foi um incidente natural”
Após visitar apoiadores no Hospital de Base, Nikolas Ferreira afirmou que o episódio não teve relação com falhas na organização do evento.
“Aconteceu um incidente natural. Não foi por irresponsabilidade nossa, não foi por falta de organização, não foi por tumulto. Foi literalmente algo que foge do nosso controle”, declarou o deputado.
O parlamentar também comentou os números iniciais que recebeu sobre os feridos.
“Foram 27 vítimas, sendo que [...] duas vão estar em observação. As outras, graças a Deus, não têm nada de grave até então, a informação que tive”, disse.
Atendimento de emergência
O Corpo de Bombeiros informou que atuou de forma imediata no local, com o emprego de 25 viaturas, incluindo 10 Unidades de Resgate, para prestar socorro às vítimas. Além dos casos diretamente relacionados ao raio, também foram registrados atendimentos por torções e episódios de hipertermia, atribuídos às condições climáticas.
A corporação destacou que o rápido deslocamento das equipes permitiu o atendimento inicial ainda na área da manifestação, antes do encaminhamento hospitalar dos casos mais graves.
Caminhada rumo a Brasília
Nikolas Ferreira iniciou a caminhada na segunda-feira (19), partindo de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais. O trajeto seguiu pela BR-040, totalizando cerca de 240 quilômetros, com previsão de encerramento no domingo (25), às 12h, na Praça do Cruzeiro.
A mobilização ganhou repercussão nas redes sociais e contou com a adesão de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de outros membros do Congresso Nacional e eleitores do deputado.
Motivação do protesto
Segundo Nikolas, a manifestação teve como objetivo protestar contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas aos condenados pelos atos criminosos de 8 de janeiro de 2023 e contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.
O ato reuniu nomes como Carlos Bolsonaro, Padre Kelmon, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) e os deputados Zé Trovão (PL-SC), Filipe Barros (PL-PR) e Carlos Jordy (PL-RJ).
Críticas ao STF
Antes do encerramento da caminhada, Nikolas Ferreira afirmou que a mobilização cumpriu o objetivo de “despertar as pessoas e abrir seus olhos para o que está acontecendo” no país. Durante o discurso final, ele criticou o que chamou de “tirania” por parte do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
As autoridades seguem monitorando o estado de saúde dos feridos, enquanto a organização do evento e os órgãos de segurança avaliam os impactos do incidente ocorrido durante a manifestação.p