Entre as experiências profissionais, Naor guarda a história de um menino de cinco anos, autista e não verbal, que chegou para o atendimento sem falar.
A criança demonstrava interesse pela música. Durante meses, o trabalho envolveu estímulos musicais e vocais, utilizando elementos que faziam parte do processo terapêutico.
O resultado apareceu de maneira inesperada durante as férias.
Cerca de dez dias depois de a criança viajar para visitar a família, Naor recebeu uma mensagem da mãe.
“Naor, o fulano está falando.”
A mãe enviou um áudio. No registro, o menino dizia que estava com saudade.
Para o musicoterapeuta, o episódio mostrou a importância do estímulo contínuo e também o impacto que pequenas conquistas podem ter na vida de uma criança e de sua família.
Ele conta que experiências semelhantes aconteceram posteriormente com outros pacientes, inclusive uma criança que apresentava dificuldades de comunicação e que, ao longo do acompanhamento, passou a falar e avançar também em atividades escolares.
Naor faz questão de destacar, porém, que cada pessoa possui seu próprio tempo.
“Todos eles vão falar rápido? Não. Vai de um dia para o outro? Não. Tem uns que demoram mais, outros demoram menos”, explica.
O objetivo, portanto, não é prometer resultados iguais para todos, mas oferecer estímulos adequados às necessidades de cada paciente.