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Policial e marido são denunciados pelo MP por morte de soldado carbonizado

Casal é acusado de homicídio qualificado, destruição de cadáver e fraude processual; os dois permanecem presos

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  • Policial militar Júlia Natália e marido denunciados por morte de soldado em Itaitinga, no Ceará.
  • Denúncia apresentada nesta sexta-feira na 1ª Vara do Júri de Fortaleza, acusando homicídio duplamente qualificado.
  • Ministério Público pede indenização mínima de R$ 300 mil e perda do cargo público para Júlia.
  • Investigação aponta simulação de sequestro e possíveis relações extraconjugais como motivação do crime.
  • Justiça manteve prisão preventiva de Júlia, considerando gravidade do crime e dificuldade de investigação.
Policial e marido são denunciados pelo Ministério Público por morte de soldado carbonizado | Foto: Reprodução
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A policial militar Júlia Natália Girão e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) pela morte do soldado Raphael Sampaio de Silva, de 27 anos. O corpo do militar foi encontrado baleado e carbonizado dentro de um veículo, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza.

A denúncia foi apresentada nesta sexta-feira (28), na 1ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza, por uma força-tarefa formada por sete promotores de Justiça. Segundo o MPCE, o casal teria atuado em conjunto na execução do soldado e, posteriormente, adotado medidas para dificultar o trabalho das autoridades.

Os dois respondem por homicídio duplamente qualificado, considerando motivo torpe e recurso que teria dificultado a defesa da vítima, além de destruição de cadáver e fraude processual. Júlia e Antoneudo permanecem presos.

O Ministério Público também solicitou que, em caso de condenação, seja estabelecida uma indenização mínima de R$ 300 mil aos familiares de Raphael. No caso de Júlia, o órgão ainda pediu a perda do cargo público.

INVESTIGAÇÃO APONTA SIMULAÇÃO DE SEQUESTRO

Conforme a denúncia, os investigados teriam criado uma versão falsa para tentar dificultar a identificação dos responsáveis pelo crime. A investigação aponta que Júlia teria simulado o próprio sequestro, em uma tentativa de afastar as suspeitas sobre ela e o marido.

Imagens de câmeras de segurança, exames periciais e outros elementos reunidos durante a investigação teriam apresentado inconsistências na narrativa apresentada pelo casal.

O crime ocorreu no dia 11 de agosto. Raphael havia deixado o serviço acompanhado de Júlia, que era colega de equipe e havia trabalhado com ele durante o plantão.

Horas depois, o corpo do soldado foi localizado carbonizado em Itaitinga. Júlia e Antoneudo foram presos após a localização da vítima.

Segundo o inquérito da Polícia Civil, o crime teria relação com um suposto relacionamento extraconjugal entre Raphael e Júlia. A investigação aponta que Antoneudo teria atirado contra o soldado e, posteriormente, incendiado o corpo.

JUSTIÇA MANTEVE POLICIAL PRESA

Na última terça-feira (25), o Tribunal de Justiça do Ceará negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Júlia Natália.

A defesa argumentou que, com a conclusão do relatório final da Polícia Civil, não haveria motivos para a manutenção da prisão preventiva. Também foi solicitado que ela pudesse responder ao processo em liberdade ou, alternativamente, cumprisse prisão domiciliar. Entre os argumentos apresentados estava o fato de Júlia ser mãe de uma criança de quatro anos.

Os pedidos foram rejeitados pela Justiça. Na decisão, a desembargadora Andréa Mendes Bezerra Delfino considerou que os elementos reunidos até o momento apontam para uma conduta de elevada gravidade, incluindo, além do homicídio, a possível destruição do cadáver e a criação de circunstâncias para dificultar as investigações.

Sobre a possibilidade de prisão domiciliar, a magistrada destacou que a condição de mãe de criança menor de 12 anos não garante automaticamente a substituição da prisão preventiva, especialmente diante da acusação de um crime cometido com violência.

A decisão também considerou relevante o fato de Júlia ser policial militar diante da gravidade concreta atribuída à conduta investigada.

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