Os países da União Europeia decidiram aprovar, de forma provisória, o acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9). Apesar do avanço, o tratado segue cercado de controvérsias e enfrenta forte resistência, especialmente na França, onde agricultores têm promovido protestos contra a iniciativa.
Na quinta-feira (8), o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou publicamente que votaria contra o acordo entre a União Europeia e os quatro países do Mercosul. A rejeição francesa tem sido unânime entre representantes do setor agrícola, que veem o tratado como uma ameaça à produção local.
Segundo os agricultores, o acordo abriria espaço para uma concorrência considerada desleal, já que produtos sul-americanos seriam produzidos sob normas ambientais e sanitárias diferentes das exigidas na União Europeia, o que poderia comprometer a competitividade dos produtores europeus.
Entenda o acordo
Considerado estratégico, o acordo entre União Europeia e Mercosul busca ampliar a integração comercial entre dois dos maiores blocos econômicos do mundo. A iniciativa é vista como uma prioridade para fortalecer o comércio global, aumentar a competitividade econômica e garantir maior estabilidade geoeconômica.
O tratado prevê a redução de tarifas e barreiras comerciais, o que pode impulsionar exportações e atrair investimentos entre as regiões. Para os países do Mercosul, o acordo representa maior acesso ao mercado europeu. Já para a União Europeia, a parceria possibilita a diversificação de suas relações comerciais.
Apesar da aprovação provisória, o acordo ainda precisa passar por etapas decisivas de implementação. Entre elas, estão a definição de salvaguardas e mecanismos de proteção a setores considerados sensíveis, especialmente o agrícola.
Uma das medidas em discussão envolve um entendimento conjunto entre o Conselho e o Parlamento Europeu que permita a suspensão de preferências tarifárias caso importações provoquem impactos negativos às produções locais.
A resistência de setores agrícolas europeus, sobretudo na França, permanece como um dos principais desafios para a conclusão definitiva do acordo, com produtores pressionando por garantias que evitem prejuízos ao mercado interno.