- UFPE receberá R$ 68 milhões em recursos federais para recuperar estrutura de pesquisa destruída por incêndio no campus Recife.
- Ministra da Ciência anunciou R$ 40 milhões para reposição de equipamentos, somando aos R$ 28 milhões do ministro da Educação.
- Incêndio causou prejuízo estimado em R$ 100 milhões, destruindo equipamentos e laboratórios de pesquisa em áreas como câncer e TEA.
- Equipamentos repostos serão transferidos para outros laboratórios para manter a continuidade das pesquisas enquanto o prédio é reconstruído.
- Perícia do incêndio depende do escoramento da estrutura, com previsão de início dos trabalhos nos próximos 15 dias.
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) deverá receber R$ 68 milhões em recursos federais para recuperar parte da estrutura de pesquisa destruída pelo incêndio que atingiu um prédio do campus Recife na noite de quarta-feira (7). Nesta sexta-feira (9), a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou R$ 40 milhões para a reposição de equipamentos. O valor se soma aos R$ 28 milhões anunciados na quinta-feira (8) pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini.
Segundo Luciana Santos, os recursos destinados à compra de equipamentos correspondem ao investimento anteriormente realizado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) na infraestrutura de pesquisa do centro. O montante emergencial, vinculado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), está disponível para transferência à universidade.
“O que estou me comprometendo desde já é com uma ajuda emergencial daquilo que correspondia ao investimento que nós fizemos em infraestrutura de pesquisa. São os equipamentos que a Finep adquiriu”, afirmou a ministra durante a visita ao campus.
Ela também disse que a equipe da reitoria trabalha no levantamento das perdas para viabilizar a retomada das atividades de pesquisa e desenvolvimento.
Incêndio causou prejuízo estimado em R$ 100 milhões
De acordo com o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, o incêndio provocou prejuízo estimado em R$ 100 milhões. O fogo destruiu equipamentos considerados de última geração e atingiu laboratórios que desenvolviam pesquisas em diferentes áreas.
Entre os espaços afetados estava um laboratório de Nível de Biossegurança 3 (NB3), utilizado para manipular agentes biológicos que exigem medidas rigorosas de contenção. Os centros de pesquisa atingidos desenvolviam estudos sobre temas como câncer, Covid-19 e transtorno do espectro autista (TEA).
Equipamentos serão transferidos para outros laboratórios
Enquanto o prédio não é reconstruído, a universidade pretende deslocar os equipamentos repostos para outros laboratórios do campus, de modo a dar continuidade aos estudos.
“Uma parte desses equipamentos, a maioria deles, vai ser deslocada para outros laboratórios, para continuar as pesquisas nesses laboratórios enquanto a gente consegue construir o outro [prédio]. O mais importante é não deixar essas pesquisas pararem, é dar continuidade a todos esses estudos. São estudos de décadas, é uma quantidade enorme de informações”, afirmou o vice-reitor Moacyr Cunha.
A previsão é reconstruir o imóvel de dois pavimentos com base no projeto executivo de um centro de pesquisas da própria UFPE localizado em Sertânia, no Sertão pernambucano.
Perícia depende de escoramento do prédio
A Polícia Federal iniciou os trabalhos para apurar as causas do incêndio. Com o auxílio de um drone e de um robô equipado com câmera, os peritos conseguiram observar danos no interior do imóvel. A entrada da equipe, porém, depende do escoramento da estrutura para reduzir o risco de desabamento.
De acordo com o reitor, a UFPE pretende fazer um aditivo ao contrato de uma empresa que já presta serviços à universidade para executar a intervenção. A expectativa é que os trabalhos comecem nos próximos 15 dias.
Alfredo Gomes afirmou que o escoramento será necessário para permitir o avanço da perícia com segurança. Embora o governo federal também tenha se comprometido a apoiar a intervenção, o reitor disse que a universidade trabalha para viabilizar a contratação emergencial.
"Nós estamos em contrato com uma empresa que trabalha aqui na universidade, em um determinado contrato, e vamos fazer um aditivo no contrato da empresa para iniciar imediatamente a escora da edificação. Esses recursos, o ministério também se comprometeu em fazer, mas a escora não é um orçamento expressivo. Precisa que a empresa volte aqui para fazer o estudo de como vai proceder, para a gente fazer essa contratação emergencial. Não tem [data], mas eu creio que nesses próximos 15 dias a gente tem resolvido também isso", disse o reitor.
Investigação analisa imagens e registros do campus
Enquanto não é possível acessar o interior do prédio com segurança, a investigação continua com base em informações coletadas na área externa. A Polícia Federal também analisa imagens de câmeras de segurança e registros de pessoas que estavam no campus na noite do incêndio, fornecidos pela universidade.
O incêndio de quarta-feira foi o terceiro registrado no campus Recife da UFPE em uma semana e o de maior proporção entre os episódios.