Após João Henrique Campelo de Carvalho, de 21 anos, se apresentar na Delegacia de Trânsito para prestar esclarecimentos sobre a morte do vigilante da Polícia Federal, Luciano de Sousa Carvalho, e ser liberado, a defesa da família da vítima passou a cobrar a prisão do investigado. O advogado Carlos Eduardo Costa afirma que, diante das circunstâncias do caso, o suspeito deveria responder por homicídio doloso.
Segundo ele, imagens do acidente reforçariam a tese de que o motorista poderia ter evitado a colisão. Para a defesa da família, o comportamento do suspeito indicaria falta de atenção na condução do veículo.
“Você consegue extrair isso no próprio vídeo que foi divulgado. Era possível João Henrique fazer uma condução sóbria, se sóbrio estivesse — o que nós não acreditamos. Ele estava, sim, embriagado e, com certeza, mexendo no celular enquanto dirigia”, declarou.
O advogado também criticou o fato de o suspeito ter se apresentado apenas dois dias após o acidente e permanecer em liberdade enquanto a família enfrenta o luto.
“Ele se apresentou dois dias após o fato na delegacia de polícia, como se nada tivesse acontecido, e permanece em liberdade enquanto a família sofre o peso da dor: a esposa perdeu o marido, as filhas perderam o pai, uma mãe perdeu um filho”, disse.
Ainda segundo a defesa, há preocupação de que o investigado possa tentar fugir. O advogado afirma que a fuga do local do acidente e a ausência de socorro à vítima seriam elementos que justificariam a prisão preventiva.
“O maior receio nosso é que ele fuja, como já fugiu antes, quando agiu com covardia e não prestou o mínimo de socorro a um pai de família que estava em chamas, situação ocasionada pela própria conduta dele. Trata-se de uma conduta em que ele agiu prevendo todo aquele resultado”, acrescentou.
hipótese de crime doloso
Para a defesa da família de Luciano, as circunstâncias do acidente indicariam a possibilidade de enquadramento do caso como homicídio doloso, quando há intenção ou assunção do risco de matar.
“Eu não tenho dúvidas de que a prática da conduta dele foi de homicídio doloso, por todas as circunstâncias apresentadas. Estamos a falar de uma pessoa que estava nitidamente embriagada. Estamos a falar de uma pessoa que não observou o mínimo que se exige de um condutor, que é a atenção — e, óbvio, não observou porque embriagada estava”, afirmou o advogado.
Ele também destacou que o motorista deixou o local do acidente sem prestar socorro à vítima, o que, na avaliação da defesa, demonstra desprezo pela vida.
“Estamos a falar de uma pessoa que se evadiu do local, furtando-se da responsabilidade. Ele não prestou o socorro mínimo a uma pessoa que estava em chamas, ocasionado pela conduta dele, demonstrando assim total desprezo pela vida do senhor Luciano”, disse.
De acordo com o advogado, a família busca a responsabilização do suspeito por meio da investigação conduzida pela polícia e pelo Ministério Público.
“Então, sim, ele praticou homicídio doloso, e nós iremos, a todo custo legal, comprovar isso. Juntamente com a autoridade policial e com o Ministério Público, iremos buscar a responsabilização de Jean Henrique. Em memória do senhor Luciano, trabalhador que ao longo da vida trabalhou na Polícia Federal como vigilante”, afirmou.
O que aconteceu
Luciano de Sousa Carvalho seguia de motocicleta para a sede da Polícia Federal, onde trabalhava como vigilante, quando reduziu a velocidade em um redutor na BR-343 e foi atingido por um carro.
Com o impacto, a motocicleta pegou fogo e a vítima morreu ainda no local. O motorista fugiu após a colisão. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), ele não teria como não perceber a presença do motociclista, e há suspeita de que estivesse sob efeito de álcool. O acidente foi registrado por uma câmera de monitoramento.
“A gente observou nas imagens que tinha, sim, garrafa de bebida alcoólica dentro do veículo e também que a manobra que ele faz não é normal, é uma manobra bem estranha”, afirmou o inspetor Fabrício Loiola.
Vigilante seguia para o trabalho
A Rede Meio Norte conversou com exclusividade com a esposa de Luciano, com quem ele foi casado por mais de 28 anos e teve duas filhas. Abalada, Camilla Karollyne Oliveira Brito afirmou que a família está desestruturada após a perda, já que ele era o principal sustento do lar.
Luciano fazia o mesmo percurso para o trabalho há anos e, segundo a viúva, era conhecido por ser um cidadão responsável no trânsito.
“Não sei se humanamente ele vai pagar por isso, não sei. Mas eu queria que ele sentisse o remorso, ele sentisse um pouquinho da dor, ele conhecesse a dor que eu estou sentindo”, declarou.