No Piauí, o consumo de ovinos é expressivo, seja na tradicional buxada, feita com vísceras, ou no churrasco de carne. Do bode e do carneiro, tudo é aproveitado, inclusive o couro, amplamente utilizado na curtume. A criação desses animais está intimamente ligada ao processo de exploração do estado, marcado pela presença de grandes fazendas.
Em todo o Nordeste, a buchada é feita com as entranhas — rins, fígado e vísceras — do bode, lavadas, fervidas, cortadas, temperadas e cozidas em bolsas (de cerca de 8 cm de diâmetro) feitas com o próprio estômago do animal.
No Nordeste, mais rigorosamente, a buchada leva apenas as chamadas vísceras brancas. As tripas e as outras partes do estômago que não foram utilizadas para fazer as bolsas compõem um prato diferente: o sarapatel, que usa vísceras vermelhas, como o coração, rins, pulmões, fígado e o baço.
O termo “buchada de bode” é uma invenção das regiões Sul e Sudeste, pois no Nordeste, o lar dessa iguaria, diz-se simplesmente “buchada”. Entretanto, não é raro encontrar a buchada feita com vísceras de carneiro ou mesmo de boi. Além disso, é mais comum ver a buchada recheada com vísceras vermelhas no Sul e Sudeste do que no Norte e Nordeste do Brasil.