- O delegado Charles Pessoa destaca a importância dos eixos focados na segurança pública e no combate às facções criminosas, especialmente o da comunicação.
- Facções criminosas, como o PCC, investem em redes sociais para disseminar mensagens simbólicas e propagar a cultura do crime.
- A Secretaria de Segurança Pública do Piauí incorporou a comunicação e a prevenção como eixos de seu planejamento estratégico.
- O Ministério Público recomendou ao delegado Charles Pessoa que deixe de divulgar conteúdos relacionados a presos, investigados e ações policiais nas redes sociais.
Em entrevista à Rede Meio Norte, o delegado Charles Pessoa destacou a importância dos eixos focados na segurança pública e no combate às facções criminosas, especialmente o da comunicação. Segundo ele, essas organizações utilizam mensagens simbólicas e as redes sociais para disseminar a ideologia do crime.
O delegado ressaltou que facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), têm investido na criação de núcleos para gerenciar redes sociais, aproveitando o alcance dessas plataformas para projetar suas mensagens e propagar a cultura do crime.
A comunicação usada por as facções, infelizmente, elas trazem um impacto muito negativo em razão do alcance que elas conseguem projetar essas eh essas essas eh sentimento essa essa propaganda, propagação da própria ideologia do crime, eles conseguem disseminar essa cultura e consegue ter um alcance muito grande que a gente não tem nem noção, disse.
Conforme o delegado, diante desse cenário, a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) incorporou a comunicação e a prevenção como alguns dos eixos de seu planejamento estratégico. As ações incluem visitas a escolas e conversas com jovens.
A gente também colocou nós também colocamos dentro do próprio eixo, eh dentro do planejamento estratégico do próprio departamento, onde diretoria da própria Secretaria de Segurança Pública, o eixo da comunicação e o outro eixo é prevenção. onde a gente visita as escolas, onde a gente conversa com os jovens, levando a mensagem que o crime não compensa, pontuou.
Até porque, a gente sabe sabe que no decorrer de décadas, a sociedade, os jovens, eles estavam acostumados a prestar apenas uma versão dessa história, que era uma versão contada pelos faccionados, de que o crime compensa e muitos jovens foram iludidos para serem levados para dentro dessa estrutura do crime. É por isso que nós colocamos também o eixo da prevenção, levando a mensagem, afirmou.
Ele destacou que esse tipo de interação demonstra o impacto positivo do trabalho preventivo e de comunicação. “Porque o nosso propósito maior é realmente evitar que esses jovens trilhem o caminho da criminalidade. Quando a gente prende um jovem, não nos causa prazer, não tem nenhuma motivação. Ali é uma demonstração de que todos nós perdemos”, disse.
RECOMENDAÇÃO DO MPPI
A fala ocorre após o Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) recomendar ao delegado Charles Pessoa que deixe de divulgar, nas redes sociais, conteúdos relacionados a presos, investigados, custodiados e ações policiais.
Segundo o MP, a recomendação decorre de procedimento instaurado para apurar a divulgação de vídeos e imagens da atividade policial nas redes sociais. O órgão alerta que a falta de regras específicas para o uso das redes por policiais pode comprometer direitos individuais, investigações e a imagem da corporação.
O uso de fardamento, armamento, viaturas, distintivos, coletes, tarjetas funcionais, logomarcas, insígnias e demais símbolos institucionais em conteúdos pessoais, promocionais, comerciais, humorísticos, satíricos ou político-eleitorais pode gerar indevida confusão entre comunicação institucional e promoção individual.
Em nota, o Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Piauí (Sindepol-PI) manifestou solidariedade ao delegado e defendeu:
Primeiramente, se faz necessário esclarecer que atualmente as redes sociais se tornaram o meio de comunicação mais direto entre a Polícia Civil do Piauí e a sociedade.
Vale lembrar também que já existe a Portaria Normativa nº 53/2021, assinada pelo delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, regulamentando o uso das redes sociais pelos policiais civis, evidencia o comunicado.
FACÇÕES CRIMINOSAS E AS REDES SOCIAIS
Essa não é a primeira vez que o debate sobre como as facções criminosas utilizam as redes sociais para recrutar novos membros surge no âmbito da segurança pública. Além disso, outras pessoas utilizam esse meio, mesmo sem ter vínculo com os grupos, para cometer crimes, como a venda de drogas por meio da internet.
No dia 21 de maio de 2026, uma operação foi deflagrada no Piauí e no Maranhão após as investigações identificarem o uso sistemático das redes sociais como instrumentos de propaganda criminosa, recrutamento de integrantes, disseminação de mensagens de intimidação, coordenação de atividades ilícitas e fortalecimento da estrutura da organização criminosa, além da apologia ao crime.
Ao todo, foram cumpridos 34 mandados judiciais em 11 municípios dos dois estados. Já em maio de 2025, a Secretaria de Segurança Pública divulgava que influencers estariam veiculando esse tipo de conteúdo em seus perfis no Instagram. Um dos exemplos de ações de combate a essa prática foi a operação “Faixa Rosa”.
Segundo a SSP, de 2023 a 2025, diversos casos envolvendo mulheres com milhares de seguidores chamaram a atenção do órgão, que passou a tratar o fenômeno como uma nova estratégia para atrair jovens para as facções, além de contribuir para a naturalização da violência.
O experimento da Folha de S.Paulo mostrou que algoritmos de redes sociais podem recomendar, em pouco tempo, conteúdos associados a facções criminosas. Segundo a reportagem, veiculada em abril deste ano, grupos utilizam vídeos de dança, músicas, emojis e outros elementos da cultura digital para atrair jovens e disseminar símbolos ligados ao crime.